Dono de academia é o quarto detido na investigação sobre a execução de Vitor Orsini, de 19 anos; polícia cumpriu cinco mandados de busca e apreensão.

O empresário Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, proprietário de uma academia em Ponta Porã, foi preso preventivamente nesta sexta-feira (21) por suspeita de envolvimento na morte de Vitor Orsini, de 19 anos, em Dourados, a 225 quilômetros de Campo Grande.
A prisão foi realizada por equipes do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Dourados e de Ponta Porã, com apoio da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron). Além do mandado de prisão, os policiais cumpriram cinco ordens de busca e apreensão em endereços ligados à investigação.
A Polícia Civil ainda não confirmou se Cláudio é apontado como mandante da execução ou se teria participado do crime de outra maneira. A investigação principal corre sob sigilo, e a motivação do assassinato também não foi divulgada oficialmente.
Munições e dinheiro são apreendidos
Durante as buscas na residência do empresário, na região central de Ponta Porã, os policiais localizaram 38 munições intactas de calibre .380 escondidas em um fundo falso de um rack de televisão. Também foram apreendidos R$ 10 mil em dinheiro, distribuídos em cédulas de R$ 20, além de correntes de cor dourada.
A arma compatível com as munições não foi encontrada. Aos policiais, Cláudio e a esposa teriam informado que o armamento usado com aquele calibre havia sido vendido há algum tempo.
Por causa das munições, o empresário também foi autuado por posse irregular de munição, crime previsto no Estatuto do Desarmamento. Inicialmente, foi arbitrada fiança de R$ 3 mil, mas o juiz Fernando Moreira Freitas da Silva homologou o flagrante, converteu a prisão em preventiva e cancelou o pagamento.
Na decisão, o magistrado considerou a quantidade de munições apreendida e o histórico criminal do suspeito. Conforme a certidão analisada pela Justiça, Cláudio seria multirreincidente. Ele declarou já ter sido preso por tráfico de drogas em Ponta Porã, em 2013, e permaneceu em silêncio sobre os fatos relacionados à investigação do homicídio.
Quatro pessoas são investigadas
-Cláudio é o quarto suspeito preso ou apreendido por suposto envolvimento na morte de Vitor. Antes dele, foram detidos:
-Denis Barbosa de Melo, apontado como o autor dos disparos.
-Alexsander Gonçalves Borges, suspeito de pilotar a motocicleta utilizada para levar o atirador ao local do crime e auxiliar na fuga.
-Um adolescente de 17 anos, que teria furtado a motocicleta usada na ação e prestado apoio ao grupo.
Denis e o adolescente foram localizados durante diligências realizadas pela Polícia Civil na região de Dourados e Ponta Porã. O adulto teve a prisão em flagrante convertida em preventiva após audiência de custódia e foi encaminhado à Penitenciária Estadual de Dourados (PED). O adolescente foi levado para a Unidade Educacional de Internação (Unei) Laranja Doce.
Alexsander foi preso em Ponta Porã na segunda-feira (17). Segundo as informações divulgadas durante a investigação, ele teria levado o atirador até Dourados. Após o homicídio, os envolvidos teriam deixado a cidade em um carro de aplicativo, seguindo em direção à região de fronteira.
Crime ocorreu na garagem do pai da vítima
Vitor Orsini foi morto na tarde de 7 de agosto, dentro da garagem de veículos pertencente ao pai dele, na Avenida Hayel Bon Faker, em Dourados. O jovem conversava com outra pessoa quando o suspeito chegou ao estabelecimento em uma motocicleta.
Conforme a investigação, o atirador entrou no local e pediu para usar o banheiro. Depois de retornar, aproximou-se de Vitor e efetuou três disparos contra a cabeça do rapaz. Em seguida, ainda teria exibido a arma para a testemunha que estava no imóvel, em uma tentativa de intimidá-la.
O jovem foi atendido por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros. Ele chegou a ser encaminhado ao Hospital da Vida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu a caminho da unidade de saúde. A arma usada no crime teria sido uma pistola calibre 9 milímetros.
Imagens de câmeras de segurança registraram parte da ação. As gravações mostram o autor chegando de motocicleta, entrando no estabelecimento e, depois, aproximando-se da vítima antes dos disparos. Vitor teria sido atingido pelas costas.
Motocicleta foi encontrada em área de mata
Horas após o assassinato, a Guarda Civil Municipal encontrou uma Honda Biz vermelha e peças de roupa abandonadas em uma área de mata próxima à Estação de Tratamento de Água e Esgoto, no bairro Canaã 6, região da Vila Cachoeirinha.
A motocicleta teria sido usada durante a execução e na fuga dos suspeitos. A localização do veículo ajudou os investigadores a reconstruir o deslocamento do grupo e a identificar possíveis participantes da ação.
As apurações iniciais indicaram que Denis teria sido levado de Ponta Porã para Dourados com o objetivo de executar Vitor. Em depoimentos, os envolvidos teriam confessado participação no crime e afirmado que a morte foi planejada. Apesar disso, a Polícia Civil ainda busca esclarecer quem teria ordenado o assassinato, qual foi a participação exata de Cláudio e qual seria a motivação.

Investigação continua sob sigilo
A Polícia Civil também apura a permanência de Denis na região de Dourados e Ponta Porã. Natural de Brasília (DF), ele estaria no sul de Mato Grosso do Sul havia alguns meses e, segundo os investigadores, possui antecedentes por crimes graves, incluindo latrocínio.
A possível ligação dos suspeitos com outros delitos na região também está sendo analisada. A polícia aguarda o avanço das diligências, a análise de provas e eventuais novos depoimentos para concluir a investigação.
Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre a defesa dos suspeitos ou sobre a eventual relação entre Cláudio e a vítima. Todos são considerados suspeitos e terão a responsabilidade analisada pela Justiça no decorrer do processo.






