Alexsander Gonçalves Borges teria transportado o atirador até Dourados e ajudado na fuga; investigação aponta crime encomendado, mas mandante ainda não foi identificado.

Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, foi preso na noite desta segunda-feira (17/08), em Ponta Porã, suspeito de participar da execução de Vitor Orsini, de 19 anos, morto a tiros em uma garagem de veículos de Dourados.
Segundo a investigação, ele pilotou a motocicleta usada para levar o atirador até o local do crime e também teria dado fuga ao pistoleiro após os disparos.
A prisão ocorreu dez dias depois do assassinato, registrado na tarde de 7 de agosto, na Avenida Hayel Bon Faker, no Jardim Água Boa. Com a captura de Alexsander, os três suspeitos identificados até agora estão detidos: o atirador Denis Barbosa de Melo, de 25 anos, o piloto da motocicleta e um adolescente de 17 anos, apontado como participante do planejamento e da logística da ação.

Grupo teria saído de Ponta Porã
As informações reunidas pela Polícia Civil indicam que Alexsander e Denis saíram de Ponta Porã, na região de fronteira com o Paraguai, e seguiram para Dourados com a missão de executar Vitor.
A dupla chegou à cidade em uma Honda Biz, que havia sido furtada durante a madrugada do dia do homicídio. Alexsander teria conduzido o veículo, enquanto Denis desembarcou em frente à garagem da família da vítima.
A participação do adolescente, que também foi apreendido, ainda não foi detalhada integralmente pela investigação. Conforme informações divulgadas anteriormente, ele teria auxiliado na logística do crime e pode ter ligação com o furto da motocicleta utilizada na fuga.

Atirador entrou na garagem
Vitor estava na calçada da revenda de veículos quando os suspeitos chegaram. O pai do jovem havia deixado o estabelecimento poucos segundos antes dos disparos.
Imagens de câmeras de segurança mostram Denis descendo da motocicleta usando capacete. Ele caminhou até a garagem e entrou no imóvel sob o pretexto de usar o banheiro.
Depois de permanecer por alguns instantes no local, o suspeito retornou à calçada. Armado com uma pistola calibre 9 milímetros, aproximou-se de Vitor pelas costas e efetuou três disparos. Um dos tiros atingiu a cabeça do jovem.
Na sequência, Denis ainda apontou a arma para o gerente da revenda, mas não atirou. Em seguida, correu até a Honda Biz, subiu na garupa e deixou o local com Alexsander.
Vitor recebeu atendimento de equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e do Corpo de Bombeiros. Os socorristas tentaram reanimá-lo e o encaminharam ao Hospital da Vida, mas o jovem morreu durante o trajeto.
Moto foi abandonada após o ataque
Depois da execução, Alexsander e Denis abandonaram a Honda Biz no fim da Rua Rui Barbosa, no Jardim Canaã VI, próximo a uma estação de tratamento de esgoto e a uma área de mata.
A Guarda Municipal encontrou o veículo horas depois. Nas proximidades estavam dois capacetes pretos e uma camiseta azul, peças que podem ter sido usadas pelos envolvidos durante a ação.
Após deixarem a motocicleta, os suspeitos fugiram de Dourados em um carro solicitado por aplicativo. Já na região de fronteira, os dois seguiram caminhos diferentes.
Alexsander permaneceu em Ponta Porã, onde acabou preso nesta segunda-feira. Denis seguiu para o distrito de Nova Itamarati, também no município de Ponta Porã, e foi localizado e preso na semana passada.

Função de cada suspeito
A investigação atribui funções diferentes aos três envolvidos identificados até o momento:
Denis Barbosa de Melo é apontado como o executor. Morador do Distrito Federal, ele teria efetuado os três disparos contra Vitor e admitido, em relato preliminar, que foi contratado para cometer o assassinato.
Alexsander Gonçalves Borges é suspeito de atuar como piloto da Honda Biz. Ele teria transportado Denis de Ponta Porã até Dourados, aguardado o ataque e conduzido a fuga.
O adolescente de 17 anos teria prestado apoio à logística do crime. A Polícia Civil ainda não informou oficialmente todos os detalhes da participação dele.
Crime teria sido encomendado
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o assassinato foi planejado e encomendado. Denis teria afirmado que recebeu para matar Vitor, reforçando a suspeita de que o atirador foi contratado como pistoleiro. A motivação, no entanto, ainda não foi esclarecida.
O possível mandante continua solto e ainda não foi identificado. As diligências buscam descobrir quem ordenou a execução, qual valor teria sido pago e por que Vitor foi escolhido como alvo.
Piloto tem registros policiais
Alexsander possui oito registros policiais como autor desde 2024, segundo levantamento divulgado pela imprensa. A ficha inclui ocorrências por ameaça, descumprimento de medida protetiva, perseguição, agressão e furtos.
O caso mais recente foi registrado no próprio dia da morte de Vitor, quando a Delegacia de Atendimento à Mulher de Ponta Porã o apontou como autor de ameaça em contexto de violência doméstica. Também há registros de descumprimento de medida protetiva, perseguição, invasão de residência, agressão e furtos entre 2024 e 2025.
A investigação sobre a morte de Vitor Orsini continua sob responsabilidade da Polícia Civil de Dourados. Os investigadores ainda tentam esclarecer a motivação, confirmar toda a estrutura do crime e localizar o mandante apontado como responsável por contratar a execução.






