Estrutura cedeu durante serviço no alto de prédio na Rua Amazonas. O sindicato diz que operário não usava cinto de segurança.

Um trabalhador morreu na noite de segunda-feira (06/07) após a queda de um andaime em uma obra no cruzamento da Rua Amazonas com a Rua 13 de Maio, no Centro de Campo Grande. A vítima foi identificada como José Ricardo Martins, de 43 anos, e chegou a ser soterrada por parte da estrutura do prédio, que também cedeu no momento do acidente.
Estrutura cedeu durante o serviço
De acordo com as informações iniciais, José Ricardo trabalhava na parte externa do edifício, junto com outro operário, quando o andaime se rompeu. Com a queda, ele bateu em outra estrutura da construção e acabou atingido por parte da laje, que desabou junto.
O outro funcionário que também estava no local conseguiu se salvar. Ele foi içado pelos colegas após o acidente. Equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e Perícia Técnica foram acionadas para os primeiros levantamentos.

Sindicato aponta falha na segurança
O Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Campo Grande) afirmou que a vítima não estava com o cinto de segurança acoplado à linha de vida no momento da queda. Segundo o presidente da entidade, José Abelha Neto, a empresa informou que os dois trabalhadores estavam sem o equipamento corretamente preso.
“Parte do alambrado da parte de fora cedeu. Ela cedeu e os trabalhadores, esses dois funcionários que caíram desse local, estavam sem o cinto acoplado à linha de vida”, afirmou.
O sindicalista disse ainda que, se o equipamento estivesse sendo usado corretamente, a morte poderia ter sido evitada. Ele destacou que trabalhadores que atuam em área externa devem permanecer presos à linha de vida durante toda a atividade.
Obra foi paralisada
Na manhã desta terça-feira (07/07), a construção estava sem movimentação e não houve retomada das atividades. O canteiro permanece parado até a realização da perícia do Ministério do Trabalho e Emprego, que deve apurar em que ponto ocorreu a falha.
Segundo o sindicato, os trabalhadores faziam uma concretagem no momento do acidente. O representante da categoria informou, no entanto, que ainda não recebeu confirmação sobre a queda de concreto.
“Eu só sei que eles estavam fazendo uma concretagem. Foi o que a empresa passou. Essa parte de que caiu esse concreto, eu não sei se aconteceu, não foi passado pela empresa”, disse.
Testemunha viu momento da queda
Moradores de um prédio vizinho relataram ter visto a movimentação momentos antes da tragédia. Uma testemunha contou que os operários trabalhavam no alto da obra e içavam materiais quando a estrutura cedeu.
“Os caras estavam trabalhando ali em cima. Estavam subindo uns concretos ali para cima. Caiu o negócio e estourou o andaime”, relatou.
Imagens feitas a partir do edifício vizinho mostram destroços espalhados no ponto da queda. Conforme os relatos, parte da estrutura atingiu uma proteção da obra antes de chegar à área inferior do prédio.
Investigação segue em andamento
O caso será apurado pela Polícia Civil, enquanto a perícia deve apontar as circunstâncias exatas do acidente. O sindicato informou que vai acompanhar a família da vítima e prestar apoio jurídico e social.
Em nota, a Incorpore Realty, responsável pela obra, afirmou que o trabalhador era funcionário de uma empresa terceirizada e disse que o empreendimento segue protocolos de segurança. A empresa também declarou estar colaborando com as autoridades e prestando assistência aos familiares.








