Pesquisa mostra 90% de reprovação: saúde travada, ruas esburacadas e escolha de pastores em cargos estratégicos ampliam desgaste da prefeita

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), enfrenta o pior momento político de sua gestão e acumula rejeição massiva entre os moradores da capital. Pesquisa do Instituto Ranking Brasil Inteligência aponta 90% de reprovação à administração, com apenas 7% de aprovação, o que expõe um nível de desgaste raramente visto entre prefeitos de capitais brasileiras.
O levantamento foi feito entre 16 e 20 de março de 2026, com 1.000 eleitores, e tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais. Os números reforçam a percepção de insatisfação generalizada com a condução do município, especialmente diante das falhas acumuladas em áreas essenciais.

ENTRE BURACOS E SAÚDE CAPENGA
Entre as principais queixas da população estão a precariedade da saúde pública, a demora nas respostas da prefeitura e a situação das ruas, marcadas por buracos, falta de recapeamento e serviços de tapa-buracos insuficientes. O tema voltou ao centro do debate após novas cobranças sobre a conservação da malha viária da capital.
PRIVILEGIADOS: OS 12 PASTORES

A crise política também é alimentada pela estrutura montada dentro da própria prefeitura, com a presença de 12 pastores em cargos estratégicos, segundo reportagens recentes. A composição do governo reforça críticas sobre aparelhamento político e religioso da máquina pública, em meio a uma gestão que já sofre forte reprovação popular.
Os pastores da igreja ocupam cada vez mais cargos estratégicos e de poder dentro da gestão municipal, inclusive controlando o orçamento municipal de R$ 6,9 bilhões.
Pelo menos 12 pastores da Igreja Assembleia de Deus Missões de Campo Grande (IADMCG) estão nomeados na prefeitura e custando mais de R$ 130 mil na folha de pagamento, de acordo com o Portal de notícias ‘O Jacaré’. Mais do que recebendo dinheiro público, eles ocupam cargos de gestão estratégica, concentram decisões sobre bilhões em recursos públicos, contratação de serviços essenciais e definição de políticas que impactam diretamente a população.
A gestão das finanças municipais está sob responsabilidade de Isaac José de Araújo, titular da Secretaria de Fazenda e um dos pastores evangélicos nomeados pela administração. Antes de assumir o comando de um orçamento bilionário na capital sul-mato-grossense, ele atuava na contabilidade interna da ADMCG.
Outros líderes religiosos também ocupam cargos estratégicos em áreas como regulação e mobilidade urbana. Paulo da Silva preside a Agência de Regulação (Agereg), enquanto Ciro Vieira Ferreira comanda a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran).
Na área social, a presença se estende às pastas de maior peso orçamentário. A Secretaria de Saúde, que concentra cerca de R$ 2 bilhões, conta com quatro pastores em funções ligadas à gestão financeira e aos processos de licitação. Entre eles estão Julinei Herão Ferreira e Fausto Azevedo Tlaes, responsável pela gerência de Suprimentos e Abastecimento.
Já na educação, Emerson Irala de Souza atua como analista técnico, somando-se a outros líderes religiosos que também ocupam postos na Casa Civil e na Agência de Habitação.
OUTROS DESGASTES
Adriane ainda enfrenta questionamentos após sancionar uma lei sobre banheiros femininos, medida que ampliou a polarização em torno de sua administração. Enquanto isso, a cidade continua lidando com problemas práticos que afetam diretamente o cotidiano da população e ajudam a consolidar a imagem de uma gestão marcada por baixa entrega e alto desgaste.








