Autorizado pela prefeita, presidente do IMPCG fez nebulosa transação com o Banco Master.

Denunciados pelos próprios servidores, os descontos compulsórios lançados pela prefeitura no salário dos servidores municipais que fizeram empréstimos no Banco Safra entram na lista de maldades cometidas pela gestão da prefeita Adriane Lopes (PP).
Ela teve como executor oficial da operação o diretor-presidente do IMPCG (Instituto Municipal de Campo Grande), ex-vereador e ex-líder sindical Marcos Tabosa.
A denúncia foi reforçada por organizações sindicais e lideranças políticas, entre elas a Federação dos Servidores Públicos Estaduais e Municipais de Mato Grosso do Sul (Feserp), Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos da Administração (Sindsad) e a vereadora Luiza Ribeiro (PT).
Segundo se apurou, a prefeitura não suspendeu e manteve os descontos, mesmo com o escândalo dos golpes praticados por Daniel Vorcaro por meio de fraudes bancárias do Master.
A ilegalidade dos descontos em folha de pagamento atinge tanto os efetivos como os aposentados que recorreram a empréstimos consignados e ao cartão Credcesta, pelo Banco Master.
A Justiça de Campo Grande barrou uma ação da Feserp/MS que pedia a suspensão dos descontos. O IMPCG chegou a aplicar R$ 1,3 milhão em CDBs do Master, mas afirma ter garantido a recuperação de R$ 1,2 milhão.
O CDB ou Certificado de Depósito Bancário é um título de renda fixa emitido pelos bancos para captar recursos. Ao investir, os clientes emprestam dinheiro ao banco em troca de juros, sendo uma alternativa segura à poupança.

No último dia 14/04, a vereadora Luiza Ribeiro usou a tribuna da Câmara para insistir na cobrança de soluções reivindicadas pelos servidores atingidos pela redução salarial provocada pelo desconto.
Segundo a parlamentar, Adriane Lopes e Marcos Tabosa estariam permitindo descontos em favor de instituições do Conglomerado Master, o que configuraria um verdadeiro “confisco” de salários. “Muitos deles dizem que o cartão Credcesta havia deixado de gerar cobranças durante o período de crise do banco. Mas os descontos voltaram agora vinculados ao Banco Master”, salientou. Luiza disse que esta mudança foi negociada por Adriane e Tabosa após a ação judicial.
“Na prática, estão sangrando o salário dos trabalhadores para cobrir um investimento temerário, feito com recursos da previdência”, emendou a vereadora.
Ela contou casos sobre descontos que chegam a até R$ 580,00, conforme revelou uma servidora. A seu ver, a medida não tem transparência, feita sem base legal. “É um verdadeiro confisco. Nem o INSS aceita mais esse tipo de operação. Vamos levar essa situação para apuração do Ministério Público”, avisou.

Denúncia na Tribuna
No dia 05 deste mês, a convite do vereador Landmark Rios (PT), a presidente da Feserp, Lilian Fernandes, solicitou providências na Câmara Municipal, denunciando a operação de Tabosa e a decisão de Adriane para manter os descontos em folha.
Relatou dificuldades enfrentadas pelos servidores e citou exemplos de outras cidades que a dedução compulsória foi suspensa. Lílian lembrou que Campo Grande tem um decreto sobre consignações, com exigências para desconto em folha que não foram observadas pelo IMPCG.
Segundo Lílian Fernandes, o Credcesta (um cartão de crédito consignado e benefício do Banco Master para servidores públicos) tem várias irregularidades, entre as quais a prática de juros abusivos, fraudes e muitos casos de superendividamento. “Fizemos vários expedientes à prefeitura para suspender os descontos.
O servidor público não pode ser apenado por crimes cometidos pelo banco”, protestou Landmark.






