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Campo Grande, 24 de outubro de 2026

Mercado pecuário registra aumento de preço na Capital e Três Lagoas

  • 20 de março, 2026
  • Economia e Agronegócio, Mercado Pecuário
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A arroba  do boi gordo teve aumento de preço em Campo Grande e Três Lagoas e manteve o preço em Dourados. Já a arroba da vaca gorda manteve o valor em Campo Grande, Dourados e Três Lagoas. Nos estados de SP, MS e PR a arroba do Boi China manteve o valor. Em Minas Gerais e Mato Grosso e Goiás a arroba do Boi China teve aumento no preço.

Valores de referência da Scot Consultoria, coletados dia  19/03 e divulgados hoje, 20/03 (sexta-feira).

Em Campo Grande, a cotação da arroba do boi gordo está avaliada em R$ 333,50 à vista e R$ 337,00 com prazo de 30 dias (aumento de R$2,00). Já a vaca gorda está com a arroba cotada em R$ 307,00 à vista e a prazo R$ 310,00 (manteve o valor).

Em Dourados, a cotação da arroba do boi gordo está avaliada em R$ 330,50 à vista e R$ 334,00 com prazo de 30 dias (manteve o valor). A vaca gorda está com a arroba cotada em R$ 307,00 à vista e a prazo, R$ 310,00 (manteve o aumento).

Em Três Lagoas, a cotação da arroba do boi gordo está avaliada em R$ 331,50 à vista e R$ 335,00 com prazo de 30 dias (aumento de R$3,00). Já a arroba da vaca gorda em Três Lagoas está cotada em R$ 306,00 à vista e a prazo, R$ 309,00 (manteve o valor).

Boi China @ – Nos estados de SP, MS e PR a arroba do Boi China manteve o valor. Em Minas Gerais e Mato Grosso e Goiás a arroba do Boi China teve aumento no preço.
São Paulo – R$350,00 (manteve o valor)
Minas Gerais – R$332,00 (aumento de R$2,00)
Mato Grosso – R$342,00 (aumento de R$2,00)
Mato Grosso do Sul – R$340,00 (manteve o valor)
Goiás – R$332,00 (aumento de R$2,00)
Paraná – R$347,00 (manteve o valor)

Com informações da Scot Consultoria

CPF do boi: rastreabilidade e risco jurídico na compra de gado

A integração de dados ambientais, territoriais e de movimentação animal redefine a forma como o mercado avalia a origem do gado e os riscos associados à sua comercialização.

A rastreabilidade do rebanho deixou de ser apenas uma tendência tecnológica e passou a compor, de forma cada vez mais explícita, o núcleo da gestão de risco do pecuarista.

Nos bastidores do agronegócio, cresce a pressão por comprovação da origem legal e ambiental dos bovinos, um movimento impulsionado por exigências de mercado, por programas privados de conformidade e, sobretudo, pela atuação do Ministério Público Federal (MPF) e de órgãos de fiscalização.

Nesse contexto, ganhou força a expressão informal “CPF do boi”.
O termo é uma metáfora, mas descreve bem a ideia central: a construção de uma “identidade rastreável” do animal, com histórico de circulação entre imóveis rurais, cruzando dados oficiais e bases geoespaciais.

O que antes era um tema de auditorias internas de frigoríficos ou de exportadores passa a atingir diretamente quem compra, transporta e comercializa gado, inclusive em operações rotineiras.

O “CPF do boi” não é um documento único emitido por um órgão público com esse nome, mas um conceito operacional: a capacidade de reconstituir, com alto grau de precisão, o caminho do animal ao longo do tempo, a partir de informações como:
-GTA (Guia de Trânsito Animal) e registros de movimentação;
-CAR (Cadastro Ambiental Rural) e dados declaratórios do imóvel;
-imagens de satélite e bases de alertas de desmatamento;
-camadas territoriais sensíveis, como unidades de conservação e terras indígenas;

-listas públicas de embargos e autos de infração ambiental.

Quando essas bases são integradas, torna-se possível indicar se um lote de animais passou por áreas com restrição ambiental relevante, como imóveis embargados, áreas com supressão ilegal, ou zonas em que a exploração é incompatível com a proteção territorial.

Em termos simples: o boi passa a “carregar” um histórico territorial que pode ser auditado.
O ponto mais sensível para o pecuarista é que o risco deixa de se concentrar apenas no responsável direto pelo desmatamento. Em determinadas hipóteses, a legislação administrativa ambiental alcança também quem adquire, intermedia, transporta ou comercializa produto ou subproduto de origem animal ligado a áreas irregulares.

Um exemplo que merece atenção é o artigo 54-A do Decreto Federal no. 6.514/2008, que tipifica como infração ambiental a aquisição, intermediação, transporte ou comercialização de produto/subproduto de origem animal produzido sobre área objeto de desmatamento irregular localizada no interior de unidade de conservação, após a sua criação, prevendo multa de R$500,00 por quilograma ou por unidade.

O efeito prático é evidente: um carregamento, se relacionado a origem irregular, pode gerar repercussão financeira relevante, além de bloqueios comerciais, retenção de mercadoria e escalada de litígio.

A consequência não é apenas “ambiental”; é econômica, reputacional e, em alguns cenários, pode se tornar impeditiva de acesso a mercados e a crédito.

A atuação do MPF tem sido decisiva para acelerar essa cultura de rastreabilidade. Em vários estados, especialmente na Amazônia Legal, a lógica de responsabilização da cadeia produtiva tem levado a exigências progressivas de comprovação de origem, com foco em due diligence, auditorias, termos de ajuste e verificação sistemática da regularidade ambiental.

Mesmo quando o produtor atua de boa-fé, o ambiente institucional se move no sentido de exigir mais do que a documentação mínima “formal”. A mensagem é clara: o padrão de diligência esperado do comprador está subindo. A conferência do histórico deixa de ser diferencial e passa a ser elemento de segurança básica.

A prevenção, aqui, é menos “burocracia” e mais gestão inteligente. Alguns passos que reduzem consideravelmente a exposição:

-Consulta prévia a embargos ambientais: verifique se o imóvel de origem está em lista pública de áreas embargadas do Ibama (e, quando aplicável, do órgão ambiental estadual). A consulta é um filtro inicial e objetivo.

-Checagem do CAR e consistência territorial: confirme a situação do CAR e, sempre que possível, avalie sobreposições com áreas sensíveis (unidades de conservação, terras indígenas e outras restrições). Não é incomum que uma operação “pareça regular” no papel, mas apresente conflito territorial relevante.

-Histórico de movimentação do lote: solicitar e guardar o histórico do trânsito e da origem do lote é medida elementar.

-Cláusulas contratuais de conformidade e responsabilização: em compras recorrentes, o contrato deve prever declarações do vendedor, obrigações de cooperação documental, dever de informação e, quando cabível, cláusula de regresso e penalidades por informação falsa.

-Documentação probatória da boa-fé: guarde evidências do que foi verificado, consultas, relatórios, mapas, e-mails, mensagens, recibos e documentos. Em autuações e investigações, o que diferencia o “diligente” do “negligente” é a prova.

A pecuária sempre se preocupou com genética, sanidade, manejo e desempenho. O que muda agora é que a rastreabilidade jurídica passa a integrar a mesma prateleira de prioridades. Não por modismo, mas por sobrevivência empresarial.

Ignorar esse movimento expõe o produtor a riscos desnecessários como multas, perda de contratos, restrições comerciais, litígios e danos reputacionais.

Ao contrário, quem se antecipa com diligência e organização documental fortalece sua posição competitiva, reduz passivos e amplia acesso a mercados mais exigentes.

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