Tensão entre EUA, Israel e Irã pode pressionar preço da gasolina, diesel e insumos agrícolas

O agravamento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio está elevando a percepção de risco em mercados globais de petróleo e fertilizantes, com potencial para encarecer gasolina e diesel no Brasil e aumentar custos do agronegócio. Segundo especialistas, interrupções de navegação no Estreito de Ormuz – que concentra cerca de 20% do petróleo mundial – e a dependência brasileira de fertilizantes importados localizados na região podem gerar choques de oferta e de frete.
Impacto nos combustíveis
Os preços do petróleo já subiram mais de 7% em alguns momentos recentes em meio à escalada de ataques, ultrapassando a casa de 70 dólares por barril em meio à tensão entre EUA e Irã. Se o conflito se prolongar ou houver bloqueio ou desvio de rotas pelo Estreito de Ormuz, os fretes marítimos e terrestres tendem a ficar mais caros, o que pode se refletir na conta do diesel e da gasolina no Brasil, sobretudo se o governo optar por repassar parte da alta às bombas.
Pressão sobre fertilizantes e o agronegócio
O Brasil é altamente dependente de fertilizantes importados, com mais de 85% das toneladas consumidas vindas de fora; a região do Oriente Médio é um dos principais polos de produção de nitrogenados, como a ureia, com Irã e Egito entre os grandes fornecedores. A intensificação do conflito já levou a aumentos de até 9,3% nos preços dos fertilizantes em poucos dias, com a ureia saltando de cerca de 398 para 435 dólares por tonelada em uma semana, pesando diretamente sobre custos de soja, milho, trigo e ração animal.
Risco para alimentação e inflação
Com fertilizantes mais caros e custos de transporte encarecidos, os produtores brasileiros podem redirecionar custos para carne, óleo de soja, frango e outros produtos, transmitindo parte da pressão para o consumidor. Especialistas alertam que, se o cenário se mantiver por semanas, o efeito combinado de petróleo mais alto e insumos agrícolas mais caros pode alimentar nova rodada de inflação nos setores de energia e alimentos, especialmente em economias emergentes como a do Brasil.






