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Campo Grande, 20 de agosto de 2026

Especialistas alertam: Fim da escala 6×1 pode afetar produtividade e preços

  • 26 de janeiro, 2026
  • Economia, Emprego
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Com menos horas semanais de trabalho, argumentam, não seria possível manter o mesmo nível de produção de bens e serviços, o que tende a pressionar custos e afetar preços ao consumidor.

Menos trabalho, produtos mais caros: Com a redução da jornada e um aumento estimado de 12% no custo de produção, poderia elevar o preço final ao consumidor.

Especialistas e representantes do setor produtivo consultados pela CNN Brasil avaliam que a possível aprovação do fim da escala 6×1 no Congresso Nacional pode comprometer as dinâmicas do mercado de trabalho no Brasil, especialmente nos setores de comércio, serviços e indústria.

Segundo entidades empresariais, a principal preocupação é a redução da produtividade.

Com menos horas semanais de trabalho, argumentam, não seria possível manter o mesmo nível de produção de bens e serviços — o que tende a pressionar custos e afetar preços ao consumidor.

“A gente sabe que hoje a produtividade de um trabalhador brasileiro é cerca de 23% da produtividade de um trabalhador americano. Quando você reduz a jornada de trabalho, você pressiona ainda mais, com efeitos claros e concretos sobre a economia como um todo”, afirmou Fernando Guedes, presidente-executivo da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção).

Um estudo da Federação das Indústrias de Minas Gerais aponta que a redução da carga horária para até 40 horas semanais, sem ganhos de produtividade, poderia impactar duramente o faturamento dos setores produtivos e reduzir a atividade econômica do país em até 16%.

O setor industrial alerta que esse efeito em cadeia tende a se refletir diretamente no bolso dos consumidores. Como as empresas afirmam não ter margem para absorver os custos adicionais, o aumento seria repassado aos preços.

Um exemplo citado por empresários do setor calçadista ilustra esse impacto. Hoje, um calçado que custa R$ 50 para ser produzido chega às lojas por cerca de R$ 125.

Com a redução da jornada e um aumento estimado de 12% no custo de produção, o valor passaria para R$ 56, o que poderia elevar o preço final ao consumidor para aproximadamente R$ 149.

“O aumento do custo é imediato, porque não temos condições de absorver um impacto tão grande. O preço do calçado ficaria impraticável no mercado interno e, para exportação, nem se fala”, disse Junior Cesar Fans, diretor do Sindinova.

Representantes do comércio e serviços também apontam que a proposta foi apresentada sem uma discussão aprofundada sobre as condições atuais do mercado de trabalho, especialmente em um cenário de produtividade considerada baixa.

“A gente está discutindo algo sem pensar nos efeitos que isso vai ter para o setor de comércio e serviços, que podem ser devastadores. A proposta foi feita na melhor das intenções, mas sem levar em conta a realidade fática, a matemática e a capacidade das empresas de absorver uma mudança tão radical”, afirmou Fabio Pina, assessor da FecomercioSP.

Para especialistas, produtividade está diretamente relacionada à escolaridade, tecnologia e qualificação da mão de obra, fatores que precisariam avançar antes de qualquer redução significativa da jornada de trabalho, sob risco de comprometer o crescimento econômico.

O governo, por sua vez, considera o tema prioritário neste ano e defende que a proposta busca melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, argumento que segue em debate no Congresso Nacional.

Com informações do Portal CNN Brasil Money

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