De precatórios a medicamentos, prefeita cava “buracos” nas contas públicas e vai parar na Justiça.

Além dos serviços caóticos que caracterizam o maior desastre da história política e administrativa de Campo Grande, outra característica nada elogiável do “jeito Adriane de governar” se revela agora em toda a sua dimensão: o calote.
Não pagar contas seria normal no caso de uma dívida particular ou então um compromisso passível de negociação e que não prejudicasse terceiros, mas nunca quando se trata de serviço público indispensável à população.
A prefeita Adriane Lopes (PP) já vinha sendo chamada de caloteira desde o primeiro mandato, quando se recusou a reajustar os salários dos servidores e bateu o pé até contra a Justiça para não pagar os adicionais previstos por lei.
Depois, deixou em atraso compromissos financeiros da prefeitura, comprometendo a credibilidade do município e lançando- o no rol dos inadimplentes. Agora, mais dois novos focos da “calotagem” são revelados e ganham as manchetes da imprensa.
Um desses focos é o calote nos credores de precatórios municipais, que já passa dos R$ 42,1 milhões, segundo o Tribunal de Justiça (TJMS), que reconhece oficialmente os débitos, classificados para o orçamento do ano passado. Os credores foram notificados pelo TJMS para que se manifestassem sobre o procedimento do sequestro de valores, medida prevista na Constituição Federal.
Rasteira
O outro foco que desnuda a “gestão do calote” é o lamentável caso da rasteira aplicada pela prefeitura em fornecedores de medicamentos. A Geolab Indústria Farmacêutica S/A, de Anápolis, Goiás, entrou com um mandado de segurança para cobrar um débito de R$ 58.932,00. A Geolab forneceu à prefeitura o fármaco Cloridrato de Amiodarona (Amioron 200 mg, caixa com 500 comprimidos), prescrito para os distúrbios graves do ritmo cardíaco.
Foram fornecidas inicialmente 98.220 unidades do medicamento, no valor de R$ 29.466,00, em 29 de agosto de 2024. A previsão para o pagamento foi contratualizado em 10 dias. Adriane só pagou esta conta oito meses depois, em 2025.
Em seguida, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) solicitou novo lote de Amioron com a mesma quantidade e emitiu uma nova Nota de Empenho. A fornecedora manteve o preço anterior.
Mesmo com a nota fiscal emitida em outubro de 2024, para ser paga em até 10 dias úteis, a conta não foi e não estava paga até o início desta semana. A novela havia começado.
Apesar de continuar devendo, para n o ficar sem o remédio, que já escasseava, a prefeitura pagou uma das contas e pediu outro lote. Continuou devedora da segunda entrega e ao fazer a nova aquisição solicitou 88.398 unidades do medicamento, ao custo de R$ 26.519,40.
Mais registros
A Geolab, por causa do prejuízo na transação, decidiu notificar extrajudicialmente o município. Quem percorrer as fontes de consulta na Internet vai encontrar registros sobre débitos dessa natureza.
Uma das informações é esta: “Problemas com Fornecedores: Foram reportados atrasos em pagamentos a fornecedores, o que, segundo denúncias, causou falta de medicamentos em unidades de saúde em 2025″.
Constam ainda, sob a referência “Fornecedores e Licitações (2025-2026)”, estes dados:
– Conquista Distribuidora de Medicamentos e Produtos Hospitalares Ltda: Citada em registros de resultados de licitações (Pregão Eletrônico 085/2025).
– Consórcio Central de Mato Grosso do Sul (CCMS): A prefeitura enfrenta atrasos no pagamento do contrato de rateio de 2025, o que pode comprometer o recebimento de medicamentos.
– Licitações Ativas: Há pregões eletrônicos em andamento para o registro de preços e aquisição de medicamentos para a Rede Municipal de Saúde (REMUS) em 2025/2026.
Sob a situação do abastecimento” em janeiro 2026, a prefeitura informou que 80% do estoque de medicamentos está em dia, com o restante sofrendo com licitações desertas (falta do produto no mercado).
Entre as “novas medidas” para consertar o setor, a anotação é esta: “a prefeita mudou a gestão da saúde, nomeando Marcelo Vilela como secretário de saúde para fortalecer os serviços”.
Por fim, quanto à “Revisão de Contratos”, a informação é que a prefeitura “está revisando contratos de fornecimento e adotando sistema digital para monitoramento, embora um projeto de transparência diária tenha sido vetado pela prefeita em 2025”.






