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Campo Grande, 01 de outubro de 2026

Aliados aplicam em Adriane Lopes sua maior derrota política

  • Geraldo Silva
  • 13 de janeiro, 2026
  • Economia, IPTU-2026, Politica
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Clamor popular: mesmo sem resgatar o abatimento de 20%, vereadores derrubam “impostos de ouro”.

Papy:”A Câmara representa a população e tem de ser respeitada”. (Foto: Instagram).

 Duas guerras ferozes e de consequências imprevisíveis começaram a acontecer na noite de ontem, segunda-feira (12/01)): por 20 votos a zero, os vereadores derrubaram em sessão extraordinária parte do decreto em que a prefeita Adriane Lopes (PP) reajustou em até 396% a taxa do lixo. Com esta decisão, os valores do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) também devem ter redução para 71% dos imóveis.

Esta foi a maior e a mais clamorosa derrota de Adriane, que está na titularidade do cargo há três anos e nove meses – ela assumiu em abril de 2022 e foi reeleita em 2024. Com a derrubada do chamado “imposto de ouro”, duas guerras serão travadas em decisões previsíveis.

Adriane Lopes: Mais uma derrota política, a pior, aplicada por sua própria base. (Reprodução).

Na primeira, se a prefeita vetar o projeto dos vereadores, a Câmara pode derrubar o veto e promulgar a medida. E aí então a prefeita tem o direito de recorrer e judicializar a questão, iniciando a segunda “guerra”.

Entretanto, quaisquer sejam os desdobramentos jurídico-judiciais uma situação já ficou estabelecida: o desgaste político e ético da prefeita atingiu agora seu ponto mais profundo. Até dezembro, quando teve início o recesso parlamentar, ela tinha um apoio firme e amplamente majoritário no Legislativo, onde mais de 20 dos 29 vereadores pertencem a partidos da base Adrianista.

Agora, diante da barulhenta e inconformada revolta dos contribuintes a Câmara Municipal se levantou contra.

Com o povo

“O Legislativo representa a vontade popular. E a vontade popular é soberana. Somos 29 vereadores com a atribuição de fiscalizar os atos do Executivo, sempre na perspectiva do interesse público. É o que estamos fazendo: defendendo o interesse público, estando ao lado do povo”, disse o presidente da Câmara, Epaminondas Papy (PSDB).

Papy afirma que Adriane está "sem saída" em impasse do IPTU
Papy e a Prefeita Adriane Lopes se reuniram ontem de manhã para falar sobre o impasse gerado diante dos valores do IPTU e taxa de lixo.

Na parte da manhã, ele se reuniu com Adriane tentando um critério de equilíbrio na cobrança do IPTU, com valores dentro da capacidade financeira dos contribuintes e atendendo as necessidades da prefeitura em patamares civilizados.

A conversa não prosperou, a prefeita foi irredutível e só admitiu um avanço pouco vantajoso para o povo: prorrogar o prazo para pagar à vista até 12 de fevereiro. Ela não quis sequer discutir a possibilidade de restaurar o desconto de 20% nos pagamentos à vista, fechando-se em copas com sua taxa de 10%.

Efetivamente, Adriane Lopes não queria e não quer abrir mão de esfolar as rendas domésticas, com margens de reajuste e critérios contraditórios. Ela mesma, a prefeita, é beneficiária privilegiada de um reajuste com taxa “de pobre” no IPTU de sua mansão.

Papy (PSDB), explicou que o legislativo não tinha competência legal para restabelecer o índice adotado desde 1973. Os contribuintes que já pagaram o IPTU com a taxa do lixo poderão receber a devolução do dinheiro no prazo de 10 dias, conforme regulamentação a ser definida pela prefeitura, segundo a decisão dos vereadores.

Papy avisou ainda que sem diálogo com o Legislativo não haverá acordo para votação de outras matérias de interesse do Executivo.

Enfático, o presidente reiterou: “Demonstramos hoje, por meio dessa votação, a independência e a autonomia do Poder Legislativo. Queremos dizer ainda à prefeita que o diálogo é necessário, mesmo porque a Câmara representa a população e tem de ser respeitada”. É mais que uma posição protocolar de observância constitucional – é a firme e aguardada manifestação do dirigente de um poder que demonstra estar disposto a não servir de “quartinho dos fundos” do Executivo.

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