Fim-de-ano amargo traz pesquisa demolidora e operação policial para apurar licitação fraudulenta.

O Brasil tem 26 estados e, consequentemente, 26 capitais e igual número de prefeitos(as). Para aferir qual a opinião dos eleitores sobre o desempenho de seus gestores, o AtlasIntel fez a sua pesquisa anual para elaborar o Ranking dos Prefeitos. E o resultado, divulgado esta semana, mostra que a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), está em 26º lugar. Ou seja: é a última.

Ela é a pior classificada, tanto na “avaliação de governo” como no quesito “aprovação”. Em todas as capitais foram ouvidas 82.781 pessoas, entre 06 de outubro e 05 de dezembro. Em Campo Grande, o AtlasIntel entrevistou 1.491 eleitores. A margem de erro adotada no levantamento é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. Em 2024, Adriane era a 17ª de acordo com o AtlasIntel.
Semelhante avaliação popular já havia sido apurado pelo Instituto Ranking Brasil Inteligência, que chegou a acusar 80% de desaprovação para a prefeita campo-grandense. Em 2024, Adriane estava em 17º lugar. Conseguiu piorar, deu um grande salto pra baixo. Quem lidera o ranking atual é Eduardo Braide (PSD), de São Luís (MA).
A gestão, caótica e omissa, é assinalada por desmandos gerenciais e uma gastança desmedida com os favores políticos e penduricalhos, que castiga os campo-grandenses. Além da sobrecarga tributária, que acaba de ser inflada com o reajuste do IPTU, o “jeito Adriane” de governar judia de quem precisa e depende dos serviços públicos mais elementares, como a saúde, a educação, o transporte coletivo e conservação da malha viária.
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Caso de polícia
Para acrescentar mais um pesadelo no sono da prefeita, investigações do Ministério Público Estadual (MPE), por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), foram em busca de documentos e pistas de um possível escândalo. A Operação “Apagar das Luzes”, deflagrada na sexta-feira (19/12), busca elementos probatórios que comprovem fraudes em licitações, aditivos e contratos firmados em 2024.
Segundo se informou, as contratações se referem a serviços de manutenção do sistema de iluminação pública. Os acordos resultaram em um superfaturamento superior a R$ 62 milhões. Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Campo Grande e no Balneário Piçarras, em Santa Catarina. Em um dos alvos, a Construtora B&C, na Vila Bandeirantes, os agentes recolheram documentos e mídias digitais.
Também houve buscas na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), cujo titular é o engenheiro Marcelo Miglioli. Em nota oficial, o MPE frisa: “As investigações indicam a ocorrência de reiteradas fraudes nos processos licitatórios, bem como nos contratos firmados para a execução do serviço de manutenção do sistema de iluminação pública de Campo Grande, já tendo sido identificado superfaturamento superior a R$ 62 milhões”, diz o MPE na nota.






