Adriane Lopes cobra solução da empresa após três dias de paralisação e Consórcio contesta planilha apresentada. “Esse não é um problema da prefeitura. A prefeitura passou todo o recurso durante o ano para a empresa com seus funcionários. A prefeita cuida dos funcionários da prefeitura. A empresa que busque meios para resolver o problema.”(Adriane)

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), afirmou nesta quarta-feira (17/12) que o município antecipou repasses financeiros ao Consórcio Guaicurus e reforçou que a responsabilidade pela solução da greve dos motoristas é exclusiva da empresa. A paralisação do transporte coletivo, motivada pelo atraso no pagamento de salários, chegou ao terceiro dia consecutivo, mantendo milhares de usuários sem ônibus na Capital.
A declaração foi feita durante a agenda oficial da manhã, na inauguração do novo polo da Fundação Social do Trabalho (Funsat), no bairro Moreninhas. Segundo a prefeita, a administração municipal cumpriu todas as obrigações contratuais ao longo do ano e, diante da crise, chegou inclusive a antecipar pagamentos para tentar evitar a interrupção do serviço.
“Esse não é um problema da prefeitura. A prefeitura passou todo o recurso durante o ano para a empresa com seus funcionários. A prefeita cuida dos funcionários da prefeitura. A empresa que busque meios para resolver o problema. O que a prefeitura poderia fazer foi feito, até antecipar o pagamento”, afirmou Adriane.
A crise se agravou após o descumprimento de decisão judicial que determinava a circulação mínima de 70% da frota, considerada essencial para garantir o direito de ir e vir da população. A Justiça do Trabalho classificou a paralisação como abusiva e elevou a multa diária aplicada ao sindicato dos motoristas, diante da manutenção da greve total.
Paralelamente, voltou ao debate a isenção do ISSQN concedida ao Consórcio Guaicurus desde 2013, renovada anualmente e que já deixou de recolher cerca de R$ 7 milhões aos cofres do município. Um projeto que trata do tema está em tramitação na Câmara Municipal, e a prefeita tem destacado que a medida foi herdada de gestões anteriores e condicionada, à época, à melhoria da qualidade do serviço — algo que, segundo a atual administração, não se concretizou.
Consórcio contesta versão apresentada como comprovante planilha simplificada sem extratos ou outros documentos
Enquanto isso, o Consórcio Guaicurus reconhece dificuldades de caixa, admite pendências salariais e afirma que busca um reequilíbrio econômico-financeiro do contrato, alegando defasagem tarifária. A prefeitura, por sua vez, sustenta que os repasses foram feitos conforme previsto e que eventuais problemas decorrem da gestão interna da concessionária.
Conforme divulgação no Portal Top Mídia News nesta quarta-feira (17/12), a comunicação do Consórcio usou a mesma planilha de pagamentos exibida pela prefeitura e destacou os detalhes que foram propositalmente omitidos no discurso da Prefeitura.

A reflexão é que o repasse de R$ 6.735.303,18, anunciado pela prefeitura como quitado, tinha vencimento em 9 de dezembro. O Consórcio esclareceu que a não quitação desse valor na dada estipulada é que provocou atraso no salário dos colaboradores.
“Caso o repasse tivesse sido efetuado conforme consta na planilha oficial da Prefeitura, a folha de pagamento estaria devidamente quitada”, diz trecho da resposta.
Em outro ponto, as empresas de ônibus destacam que a dívida assumida em comunicações oficiais corresponde apenas a uma parcela visível de passivo financeiro mais amplo, acumulado ao longo do tempo, e ignora questionamentos judiciais dos valores da tarifa, das gratuidades e outras questões.
O impasse segue sem solução imediata, com impactos diretos na rotina da população e pressão crescente sobre a empresa e o sindicato para o cumprimento das decisões judiciais e a retomada do serviço.






