Defensoria Pública amplia equipe e horário após explosão nas denúncias e recorde de medidas protetivas em Campo Grande.

A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul registrou um aumento expressivo na busca por apoio de mulheres vítimas de violência doméstica em 2025. Somente em Campo Grande, foram contabilizados 8.774 atendimentos e 3.806 medidas protetivas concedidas, alta de 55,9% em relação ao ano anterior. O volume total de demandas no estado chegou a quase 400 mil registros ao longo do ano.
Segundo o defensor público-geral, Pedro Paulo Gasparini, o crescimento das ocorrências exigiu a ampliação da estrutura de atendimento. A equipe que atua dentro da Casa da Mulher Brasileira foi dobrada, e o horário de funcionamento agora vai das 7h às 19h, alcançando também vítimas que chegam durante a madrugada. “Esse aumento mostra a importância da atuação integrada da rede de proteção”, destacou.
A coordenadora do NUDEM (Núcleo de Defesa da Mulher), Kriscilane Oliveira Souza Oksman, lembra que o reforço na estrutura ocorreu após o feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte, em fevereiro, caso que expôs fragilidades no fluxo de atendimento. “Hoje contamos com equipe fixa de segunda a sexta e ampliamos o atendimento psicossocial dentro da própria Defensoria”, afirmou.
Os números preocupam. Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou 37 feminicídios até 24 de novembro, sendo seis em Campo Grande, entre eles o crime brutal que vitimou Vanessa Eugênia Medeiros e sua bebê de dez meses, Sophie Eugênia, encontradas mortas e carbonizadas no bairro Indubrasil, onde o autor foi preso em flagrante.
Para Dra. Kriscilane, a alta nos feminicídios pelo segundo ano consecutivo mostra que a resposta repressiva não é suficiente. O NUDEM passou a ampliar ações preventivas, com capacitações e atividades educativas em municípios da fronteira, como Caracol e Ponta Porã.
Atendimento geral no estado também cresce
O balanço anual da Defensoria aponta 392.422 atendimentos em Mato Grosso do Sul, 18.760 a mais que em 2024. Em Campo Grande, foram 152.034.
Entre os destaques:
NAS (Núcleo de Atenção à Saúde): 18.975 atendimentos e 2.915 ações sobre medicamentos, exames e internações.
NUCCON (Núcleo do Consumidor): 21.322 atendimentos, grande parte envolvendo idosos vítimas de descontos irregulares no INSS.
NUFAMDS (Núcleo da Fazenda Pública, Moradia e Direitos Sociais): 7.637 atendimentos, incluindo ações em favelas e encaminhamentos da ocupação da Vila Bordon.
Sistema prisional: 26.869 atendimentos, 4.941 audiências de custódia e 5 mil análises de casos, que identificaram 46 prisões irregulares.
O levantamento mostra ainda que 20,25% dos custodiados relataram violência policial, quase três vezes a média nacional, que é de 7%.






