Versão de ataque sexual é contestada pela polícia, que afirma que crime teve motivação de assalto e pretende vender carro da vítima no Paraguai.

A investigação sobre a morte do padre Alexsandro da Silva Lima, de 44 anos, em Dourados (MS), avança sob forte comoção. Nesta segunda-feira (17/11), o principal suspeito do crime, um jovem de 18 anos, identificado como Leanderson de Oliveira Júnior, teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva e foi transferido para a Penitenciária Estadual de Dourados (PED).

Segundo a Polícia Civil, Leanderson confessou ter assassinado o padre dentro da residência do religioso com uma marreta e uma faca. Após o crime, o corpo foi enrolado em um tapete e deixado em uma área de mata no Distrito Industrial, onde foi encontrado no sábado (15/11).
A versão apresentada por Leanderson durante o interrogatório, de que teria sido vítima de uma proposta de cunho sexual feita pelo padre, foi rejeitada pelo delegado responsável pela investigação, Lucas Veppo. Segundo o delegado, não há qualquer evidência de envolvimento afetivo ou sexual entre os dois. “Não tem indício de que o padre tenha tentado atacá-lo com intenção sexual”, declarou Veppo.
A linha de investigação segue a de latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. De acordo com a polícia, o grupo envolvido planejava vender o Jeep Renegade do padre por cerca de R$ 40 mil no Paraguai. Além de Leanderson, um adolescente de 17 anos também foi apreendido; eles teriam arquitetado o crime juntos.
A Polícia Civil também apura a participação de mais três jovens: uma outra adolescente e um segundo jovem de 18 anos, que teriam ajudado na limpeza da cena do crime, ocultação de vestígios e transporte dos objetos roubados.
Ainda segundo as investigações, dois dos quatro envolvidos estão sob liberdade provisória, mas responderão por participação no furto e na fraude processual.
Até o momento, as diligências apontam que o crime foi premeditado e executado com brutalidade. A casa do padre foi invadida, ele foi atacado com golpes na cabeça e no pescoço, e seus pertences — além do carro — foram subtraídos, de acordo com a polícia.
Em entrevista coletiva, os delegados revelaram que, após o assassinato, o grupo teria planejado usar a casa do padre Alexsandro para festas pelo tempo que conseguissem.
“O caso é tratado como roubo seguido de morte porque ambos os autores confessaram que tinham premeditado o crime um tempo antes. Eles não sabiam que o Alexsandro era padre, sabiam que ele tinha aquele veículo. Um dos autores já tinha feito contato com uma pessoa no Paraguai que iria comprar o carro por R$ 40 mil. Então, esse era o intuito deles: roubar o carro para que fosse vendido no Paraguai e roubar o celular, mas como não conseguiram desbloquear o telefone, acabaram dispensando ele no matagal”, explicou o delegado Lucas.
A Penitenciária Estadual de Dourados (PED), para onde Leanderson foi levado, é a maior do estado, segundo registros oficiais.
As investigações continuam, com coleta de provas, perícias nos objetos apreendidos e análise dos celulares dos suspeitos, para que se possa confirmar a motivação do crime e a participação de todos os envolvidos.








