Desenvolvido pelo Sebrae em parceria com o Estado, Empretec traz novas perspectivas de vida nas aldeias.

Metodologia criada pela ONU (Organização das Nações Unidas) nos anos 1980 e desenvolvida no País desde 1983 pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), o Empretec é um programa para fomentar e capacitar o empreendedorismo. Desde 2024, o numa iniciativa de parceria, o governador Eduardo Riedel (PP) passou a realizar o Empretec Indígena”, versão inédita no País. A sua primeira experiência foi em abril do ano passado, com os remanescentes do povo Ofaié, em Brasilândia.
Os bons resultados abriram horizontes promissores para assegurar aos povos originários a inclusão social e econômica, sem o sacrifício das suas culturas tradicionais. No primeiro dia deste mês, em Antônio João, com apoio da prefeitura, o Sebrae-MS e o governo estadual, por meio da Secretaria de Cidadania, realizaram na Aldeia Marangatu um seminário sobre o programa e os resultados obtidos pelos representantes da etnia guarany-caiuá. A aprovação, das mais calorosas e agradecidas, espelhou um sentimento geral de inclusão.

Avanços
Para Francisco Júnior, analista do Sebrae e facilitador Empretec, o significado da formação é simbólico e se soma com avanços concretos, nos quais os participantes reconhecerem sua própria força. “Vamos dizer que este é o início de algo novo, de um tempo em que vocês vão poder dizer: valeu a pena. O mais importante é lembrar que as únicas pessoas que podem dizer se vocês podem ou não fazer algo, são vocês mesmos”.

Professora de Química, Jéssica Barbosa de Carvalho, 32, lembrou que inicialmente nem pensava em fazer o curso. “Questionei ao professor para quê fazer um curso se não tinha nada pra vender”. Porém, desafiada pelos colegas, aceitou o convite e saiu do Empretec com uma nova visão. Jéssica integrou o grupo responsável pela “Estação do Sorvete”, uma empresa criada no seminário para simular um negócio real. A empresa “Estação do Sabor” foi a vencedora, com mais de R$ 2 mil arrecadados em uma semana de trabalho.
De casa em casa, o grupo enfrentou o barro, a chuva e o cansaço para oferecer seus produtos na comunidade. O resultado surpreendeu até as próprias empreendedoras. Para quem nunca havia batido de porta em porta e imaginava que seria até humilhante tentar vender alguma coisa, o exercício foi transformador. “Percebi que consigo convencer as pessoas. Agora quero continuar com o projeto”, disse Jéssica. Os aprendizes do grupo totalizam 27 indígenas que venceram os desafios, superaram a si mesmos e ingressaram no cenário do empreendedorismo.
Vencendo barreiras
O subsecretário estadual de Políticas Públicas para os Povos Originários, Fernando Souza, destacou a emoção de ver o brilho nos olhos dos participantes e a importância de levar o programa para dentro das aldeias. Em nome do Governo do Estado, ele contextualizou como foi levar o Empretec para dentro do território indígena. “Vencemos muitas barreiras, porque acreditamos no potencial e na força de trabalho de vocês. Enfrentamos resistências, ouvimos questionamentos, entretanto seguimos firmes, porque sabemos que temos capacidade de crescer”.
A vereadora Inaye Lopes, liderança da Terra Indígena Marangatu e aluna do Empretec, reforçou: “Este curso era um sonho nosso desde o início. A comunidade precisava de uma formação que mostrasse como usar o território de forma produtiva e sustentável. Agradeço a todos os que acreditaram. Tivemos jovens, acadêmicos e até o seu Carlos, com 78 anos, que nos dá um exemplo lindo de que nada é impossível quando a gente quer. Que venham mais cursos como este para fortalecer nossa juventude e o nosso território”.






