Primeira obra do tipo no Brasil, o túnel terá 1,5 km de extensão, seis faixas de rolamento, ciclovia, travessia de pedestres e espaço para VLT; construção deve começar em 2026.

O túnel submerso que ligará Santos a Guarujá, no litoral de São Paulo, promete transformar a mobilidade na Baixada Santista ao reduzir a viagem entre as duas cidades de cerca de uma hora para apenas dois minutos.

A obra, orçada em R$ 6,8 bilhões e concedida à empresa Mota-Engil Latam após leilão realizado em setembro de 2025, será o primeiro túnel imerso do Brasil e deverá começar a ser construída em 2026, com previsão de conclusão entre 2030 e 2031.
Com 1,5 quilômetro de extensão — dos quais 870 metros ficarão sob o estuário —, o túnel contará com seis faixas de rolamento (três em cada sentido), ciclovia, travessias para pedestres e um espaço reservado para futura implantação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos).
A estrutura atenderá tanto motoristas quanto ciclistas e pedestres que, atualmente, dependem de balsas para cruzar o canal, enfrentando longas filas e esperas variáveis, especialmente nos horários de pico.
Na prática, o projeto permitirá que pedestres e ciclistas atravessem o túnel por vias independentes e seguras, com separação física do fluxo de veículos.
A ciclovia será protegida por barreiras e terá ventilação própria, enquanto a passarela de pedestres contará com iluminação reforçada, câmeras de monitoramento e saídas de emergência a cada 250 metros.
Esses espaços terão acesso pelas cabeceiras localizadas em Santos e Guarujá, conectando-se às redes urbanas e de transporte coletivo das duas cidades.

A construção usará a técnica do túnel imerso, na qual módulos de concreto pré-moldados são fabricados em docas secas, rebocados até o local e, em seguida, afundados e encaixados no leito do canal. Cada módulo será posicionado sobre uma base de areia e protegido por camadas de rochas, reduzindo o impacto urbano e ambiental.

O método foi escolhido devido às características geológicas da região — com sedimentos e argilas moles — e às restrições de navegação impostas pelo intenso tráfego de navios no Porto de Santos, que inviabilizam a construção de uma ponte elevada.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, o túnel é uma demanda histórica de mais de um século e trará benefícios diretos para cerca de 720 mil moradores de Santos e Guarujá.
Além de melhorar a mobilidade urbana e o acesso diário de trabalhadores, a obra deve integrar a logística do Porto de Santos, o maior da América Latina, reduzindo custos de transporte e aumentando a previsibilidade nas operações portuárias.
O governo de São Paulo estima que o projeto gere 9 mil empregos diretos e indiretos durante sua execução. Após a conclusão, o túnel funcionará 24 horas por dia, com monitoramento em tempo real, ventilação automatizada, câmeras de segurança e sistemas de resposta rápida a incidentes.
Considerado estratégico pelo Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o túnel submerso Santos–Guarujá representa um marco de engenharia e inovação no país, simbolizando um avanço histórico para a mobilidade e a infraestrutura brasileira.
Com informações de Agência SP, Secretaria de Parcerias em Investimentos de SP, Ministério de Portos e Aeroportos (Governo Federal).






