Exames preliminares não detectaram substância tóxica derivada do Metanol. A causa da morte de Matheus continua sob investigação.

Os exames iniciais da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul descartaram a presença de metanol no organismo de Matheus Santana Falcão, de 21 anos, que morreu no dia 2 de outubro em Campo Grande após apresentar forte mal-estar. O caso havia sido incluído como suspeita de intoxicação por metanol no balanço nacional do Ministério da Saúde.
A confirmação de que o laudo preliminar não indicou metanol foi divulgada pelo governo estadual, nesta segunda-feira (06/10) por meio das secretarias de Saúde (SES) e de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Exames complementares ainda estão em curso para identificar outras possíveis causas da morte.

Sintomas, atendimento e morte
De acordo com relatos da família, Matheus começou a passar mal no dia seguinte ao consumo de “meio corotinho”, bebida alcoólica de baixo custo. Por volta das 13h, ele sentiu dores abdominais, náuseas e apresentou vômitos com sangue. A mãe afirma que houve uma demora de cerca de duas horas até o atendimento do Samu.
Por volta das 18h20, Matheus foi levado à UPA Universitário, consciente e comunicativo, sendo classificado no protocolo de risco como cor amarela. Quinze minutos depois, seu quadro se agravou: ele teve uma convulsão, perdeu a consciência e foi encaminhado à sala vermelha, onde sofreu parada cardiorrespiratória. Manobras de reanimação foram realizadas e, após 36 minutos, a circulação foi restabelecida; porém, o quadro se deteriorou e uma nova parada levou à morte declarada às 19h53.
Procedimentos investigativos
O caso foi notificado como suspeita de intoxicação por metanol, conforme protocolo nacional vigente, e foi incluído no balanço nacional de casos “em investigação”.
Amostras de sangue e urina foram enviadas ao Lacen (Laboratório Central) e garrafas de cachaça ou vodka encontradas na casa da vítima ou em comércios do bairro Jardim Nashville foram apreendidas para análise. Até o momento, não foram identificadas substâncias irregulares nos estabelecimentos fiscalizados na capital.
Com o metanol descartado nas análises preliminares, as autoridades seguem investigando causas alternativas clínicas ou toxicológicas para a morte de Matheus.
O que é metanol?
O metanol é um tipo de álcool utilizado por falsificadores de bebidas alcoólicas destiladas para baratear os custos, mas que é altamente tóxico para seres humanos.
Os principais sintomas da intoxicação pelo produto são náuseas e vômitos, dor de cabeça, cegueira, coma e até morte, se não tratado a tempo. Após ingerido, é metabolizado no fígado e pode provocar acidose metabólica grave, levando a cegueira irreversível, danos neurológicos e até morte. A dose letal estimada é de apenas 30 a 40ml.
Confira quais são os principais sintomas da intoxicação:
-Alterações visuais: visão turva, dupla ou esbranquiçada, perda de percepção de cores e até cegueira.
-Fase inicial (até 6h após a ingestão): náuseas, vômitos, dor abdominal, sonolência, tontura e dor de cabeça;
-Fase intermediária (12h a 24h): dificuldade para respirar, queda de pressão, convulsões, insuficiência renal e alterações metabólicas graves;
Saiba o que fazer caso passe mal
-Procure assistência médica imediata, em pronto atendimento.
-Não induzir vômito.
-Não ingerir água ou leite.
-Manter o paciente sentado ou deitado de lado.
-Essas manobras diminuem o risco de aspiração pulmonar do conteúdo gástrico, já que com frequência esses indivíduos podem evoluir para um estado de sonolência e torpor.
-Guardar amostra da bebida ingerida para confirmação da presença do metanol também se faz útil.
-Casos suspeitos devem ser notificados imediatamente, e para qualquer orientação e atendimento, a população pode entrar em contato com o disque-intoxicação da Anvisa:
E-mail: cvisa@saude.ms.gov.br
0800 722 6001
Os profissionais de saúde também devem notificar qualquer caso suspeito imediatamente pelos telefones:
Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campo Grande – CIATox
Plantão 24h (67) 98179-1369 (ligação, WhatsApp, SMS)
Telefone: (67) 3386-8655
Telefone Emergência: 0800-722-6001
E-mail: civitox@saude.ms.gov.br
Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde – CIEVS
Plantão 24h (67) 98477-3435 (ligação, WhatsApp)
Disque-notifica: 0800 647 1650 (expediente)
e-mail ms@hotmail.com (24h) e cievs@saude.ms.gov.br (expediente)








