Desde 2025 EUA enfrentam queda drástica nas vendas à China — de US$ 120 milhões/mês para US$ 9,5 milhões em agosto — enquanto Brasil e Austrália ganham espaço.

A reconfiguração do comércio mundial de carne bovina entre EUA, Brasil, Austrália e China já se desenha desde o começo de 2025, quando autoridades chinesas deixaram expirar permissões de plantas frigoríficas dos EUA e intensificaram medidas tarifárias que restringiram o acesso americano ao mercado chinês.
Até então, os Estados Unidos chegavam a exportar cerca de US$ 120 milhões por mês em carne bovina para a China. Porém, em agosto de 2025 esse valor despencou para apenas US$ 9,5 milhões.

Avanço do Brasil e da Austrália
Com o enfraquecimento dos EUA no mercado chinês, Brasil e Austrália intensificaram suas operações de exportação:
A Austrália teve forte crescimento em suas remessas de carne bovina à China, saltando de aproximadamente US$ 140 milhões por mês para mais de US$ 220-226 milhões em julho e agosto.
O Brasil, por sua vez, já é o maior fornecedor de carne bovina para a China. No primeiro semestre de 2025, seus embarques cresceram em volume e receita: até junho, o país acumulou cerca de US$ 7,2 bilhões em exportações de carne bovina, um aumento de 27% frente ao mesmo período de 2024.
Em 2024, as exportações brasileiras de carne e miúdos bovinos para a China totalizaram US$ 5,98 bilhões, segundo dados do COMTRADE.
Só em julho de 2025, o Brasil exportou 276.900 toneladas de carne bovina fresca, número recorde.
Em abril de 2025, por exemplo, o Brasil exportou 107,8 mil toneladas para a China, gerando US$ 530 milhões em receita, o que representou cerca de 39,4% de suas exportações de carne naquele mês.
Causas e impactos
A queda abrupta das exportações dos EUA reflete tensões comerciais e decisões regulatórias em Beijing, que deixaram de renovar autorizações de frigoríficos americanos, aliado ao ciclo de retração do rebanho nos EUA.
Essa redistribuição na pauta de importações chinesas favorece produtores brasileiros e australianos, especialmente porque ambos conseguem ofertar preços mais competitivos e volumes maiores. O Brasil, com sua estrutura de produção consolidada e certificações exigidas por mercados externos, está bem posicionado para aproveitar essa janela.
No entanto, nem tudo são vantagens: há riscos regulatórios na China, investigações sobre importações que se estendem (iniciadas em dezembro de 2024), além do fato de que a China também vem analisando formas de proteger sua produção interna frente ao excesso de oferta importada.
O saldo dessa mudança de cenário é claro: os EUA perderam terreno expressivo no mercado chinês, de US$ 120 milhões mensais para menos de US$ 10 milhões em agosto, enquanto Brasil e Austrália ampliam sua participação com valores e volumes crescentes.
Para o Brasil, isso representa uma oportunidade estratégica de elevar receita e reforçar sua posição como protagonista no comércio global de carne bovina.






