Ator, Diretor e ativista falece aos 89 anos e deixa legado de filmes marcantes, prêmios e convicções.

Morreu nesta terça-feira (16/09) Robert Redford, aos 89 anos, em sua casa em Sundance, no estado de Utah, nos Estados Unidos. Redford faleceu “dormindo, cercado por pessoas queridas”, informou sua publicista Cindi Berger.

Carreira e legado
Redford construiu uma carreira de mais de seis décadas no cinema, tanto na frente quanto atrás das câmeras. Como ator, ele ficou mundialmente famoso por papéis em filmes como Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969), The Sting (1973), All the President’s Men (1976) e The Way We Were (1973).
Além de atuar, ele também dirigiu obras que marcaram época. Seu trabalho como diretor de Ordinary People (1980) foi especialmente reconhecido: ele ganhou o Oscar de Melhor Diretor por esse filme, que também venceu como Melhor Filme.
Ele também recebeu um Oscar honorário em 2002, em reconhecimento à sua influência duradoura no cinema.
Além disso, Redford foi um dos grandes impulsionadores do cinema independente ao fundar o Sundance Institute e o Festival de Sundance, que se tornaram plataformas fundamentais para cineastas fora do circuito comercial tradicional.

Vida pessoal, perdas e casamentos
Robert Redford foi casado duas vezes:
Primeiro com Lola Van Wagenen, em 1958. Com ela, teve quatro filhos: Scott Anthony, que morreu ainda bebê de síndrome da morte súbita infantil (SIDS); Shauna Jean; David James (conhecido como “James”), que faleceu em 2020 em decorrência de câncer biliar; e Amy Hart.

Em 2009, casou-se com Sibylle Szaggars, artista alemã e ativista ambiental, com quem viveu os últimos anos. Redford deixa, além da esposa, duas filhas — Shauna e Amy — sete netos e uma legião de admiradores e colegas de profissão.
Prêmios principais
Oscar de Melhor Diretor, por Ordinary People (1980). Oscar Honorário em 2002, por sua contribuição geral ao cinema.

Robert Redford será lembrado não apenas por sua beleza carismática ou papéis clássicos, mas por sua consistência em escolher projetos de significado, por sua visão de apoiar vozes alternativas no cinema e por sua atuação como ativista ambiental e social. Seu legado transcende Hollywood: ele ajudou a moldar como o cinema independente é visto, produzido e valorizado.
Robert Redford sempre foi reconhecido não só como ator, diretor e produtor, mas também como ativista político e ambiental. Seu engajamento começou ainda nos anos 1970, em paralelo ao auge de sua carreira em Hollywood, e se intensificou ao longo das décadas.
Defesa do meio ambiente
Redford foi um dos artistas pioneiros em usar sua visibilidade para promover causas ambientais. Ele apoiou campanhas de proteção de áreas naturais nos Estados Unidos, se posicionou contra a exploração desenfreada de petróleo e gás e defendeu políticas de preservação da água e da vida selvagem.
Foi conselheiro e parceiro histórico do Natural Resources Defense Council (NRDC), organização que atua na defesa ambiental. Gravou narrativas para documentários e materiais de conscientização sobre mudanças climáticas e energias renováveis.
Transformou Sundance, sua propriedade em Utah, em um espaço de preservação ambiental e cultural, onde conciliava natureza, cinema e educação.
Ativismo político e social
Além da pauta ambiental, Redford também abraçou causas ligadas à liberdade de imprensa, direitos civis e democracia. Produziu e estrelou filmes com forte viés político, como All the President’s Men (1976), sobre o escândalo de Watergate, que reforçou sua imagem de defensor da transparência e da imprensa livre. Criticava abertamente governos e corporações que, em sua visão, ameaçavam o meio ambiente ou os direitos fundamentais. Atuou em campanhas contra o racismo, a favor de minorias e da inclusão de novas vozes no cinema.
Sundance como símbolo
O maior legado de Redford fora das telas talvez seja o Sundance Institute e o Festival de Sundance, criados por ele nos anos 1980. Além de revelar talentos do cinema independente, o instituto também promove projetos de impacto social, documentários ambientais e obras que discutem direitos humanos.
Em diversas entrevistas, Redford dizia acreditar que o cinema era uma ferramenta de transformação social. Para ele, histórias bem contadas tinham o poder de sensibilizar e provocar mudanças.






