Cada um dá o que tem e faz o que sabe
Quem não conhece razoavelmente a história de Campo Grande nos últimos anos com certeza não saberá que a cidade está vivendo dois ciclos em pouco tempo. Diante de empreendimentos públicos de infraestrutura, principalmente, imaginará estar em um lugar onde tudo funciona, onde há respostas para os problemas e a população vive sempre satisfeita.
Ledo engano. A imagem das obras e benfeitorias de hoje sugere uma realidade progressista que sofreu violenta interrupção no início do século. De 2005 a 2012, duas gestões do prefeito Nelson Trad Filho plantaram marcos de sólida modelagem gerencial, futurista e inclusiva. Ao concluir o mandato, deixou um saldo de realizações transformadoras, um município pronto para ter dos sucessores uma dinâmica de continuidade nos investimentos e ações de melhoria na qualidade de vida do povo.
Infelizmente, não foi isto o que aconteceu nas duas gestões seguintes. Entre 2013 e 2024, durante 12 anos, a capital de Mato Grosso do Sul sofreu como nunca em sua história. Sob mãos incompetentes e desleixadas de maus gestores, o poder municipal perdeu a credibilidade do povo e o crédito das instituições financeiras, afundando nos abismos da rejeição popular, com os eleitores iludidos pela milionária propaganda do “faz-de-conta que acredito”.
Só a partir de 2014, quando Reinaldo Azambuja foi eleito governador, Campo Grande passou a contar política e operacionalmente com um Estado parceiro, socorrista, assumindo responsabilidades que não encontravam eco no poder municipal. Após os oito anos de Azambuja, seu sucessor, Eduardo Riedel, manteve o modelo municipalista e pôs Campo Grande na prioridade, guiado por uma imposição natural, a de ser o centro de absorção e amparo das inúmeras demandas interioranas, da saúde à educação.
Assim, quem circula pelo território campo-grandense, é testemunha de um retrato alvissareiro de obras aqui e acolá, máquinas e operários em ação, asfalto, drenagem, espaços e equipamentos de usufruto público, tudo às expensas do governo estadual. Não se tem notícia, na história da cidade, de outros ciclos tão férteis que a beneficiaram na relação com o Estado.
E à conta do desgoverno gerencial, o balanço geral impõe também que se faça a avaliação política, até porque as eleições se aproximam e em 2026 estarão sendo testados a força e o prestígio das lideranças, candidaturas e partidos. No caso aqui considerado, o PP é um dos alvos mais importantes do julgamento eleitoral.
Não é difícil deduzir como fará o eleitor que levar em consideração e medir méritos e deméritos para fazer suas escolhas. No caso do PP, estão em alta, com sobras no caderno de iniciativas positivas, os mandatos do governador Eduardo Riedel, da senadora Tereza Cristina e do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gerson Claro.
A dúvida que se tem, diante dos fatos e não dos boatos, é imaginar qual será a contribuição da prefeita Adriane Lopes para os objetivos de seu partido.






