Comissão de senadores encerra viagem aos EUA com Trump isentando do tarifaço quase 700 produtos brasileiros.

O sentimento do dever cumprido temperou ontem (30/07) o fim das agendas cumpridas nos EUA pelos senadores da Comissão de Relações Exteriores (CRA) do Senado. Liderada pelo senador Nelsinho Trad (PSD), a missão foi ao país norte-americano na tentativa de abrir canais de diálogo entre os governos de Donald Trump e Lula (PT), cujas relações estão abaladas desde o anúncio da taxação de 50% sobre todos os produtos brasileiros.
E o retorno dos senadores aconteceu ao mesmo tempo em que o governo de Trump excluía 694 produtos brasileiros da Ordem Executiva que decretava o tarifaço, causador da maior tensão política entre os dois países em toda sua história. Para Trad, a exclusão de quase 700 produtos do tarifaço é um avanço, sobretudo porque foram erguidos grandes obstáculos pelo governo dos EUA, demonstrando seu desinteresse em dialogar com o brasileiro.
“Não recuamos”
“Por ora, temos isenção para uma grande quantidade de itens. São os combustíveis, suco de laranja, fertilizantes, celulose, minério, aeronaves – incluídos seus motores e componentes – e energia, entre outros. Ainda temos impasse com o café, as frutas e carnes, que continuam na tabela do tarifaço”, relacionou Trad. “O importante em tudo é que não recuamos, mesmo reconhecendo o gigantismo do desafio. A isenção para o ferro gusa e a celulose, por exemplo, é um avanço, nos reforça a certeza do dever cumprido”, analisou.
Durante três dias em Washington, a Comissão participou de várias reuniões com parlamentares e empresários americanos para tentar reduzir o impacto da tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros.
Dados da Federação das Indústrias (Fiems) apontam que a celulose e o ferro-gusa representam este ano 36,6% das exportações locaispara os EUA, totalizando US$ 115,3 milhões.
A manutenção da tarifa sobre a carne bovina, que é a responsável por 45,2% das vendas aos EUA, segue como o maior desafio para o setor produtivo. Para a Fiems, a lista de isenção com quase 700 produtos e o adiamento em mais sete dias da vigência da medida indicam espaço para negociações futuras.
O tarifaço, inicialmente, estava marcado por Trump para vigorar a partir de amanhã, sexta-feira, 1º de agosto, mas foi adiado para iniciar dia 6 de agosto, próxima quarta-feira.






