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Campo Grande, 08 de outubro de 2026

Pós tornozeleira: EUA revogam vistos de ministros do STF e familiares

  • 19 de julho, 2025
  • Destaque, Economia, Internacional, Politica
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Decisão gera crise institucional e repercute na imprensa mundial. Sanção imposta pelo governo Trump atinge Alexandre de Moraes e mais sete ministros. Bolsonaro vira manchete internacional após uso de tornozeleira eletrônica.

Bolsonaro com tornozeleira eletrônica, proibido de usar redes sociais, se comunicar com embaixadores e o filho Eduardo Bolsonaro(nos EUA) e com ordem de permanecer em casa das 19h às 7h.

O governo dos Estados Unidos anunciou na sexta-feira (18/07) a revogação dos vistos americanos do ministro Alexandre de Moraes e de outros sete integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), além de seus familiares diretos. A medida foi confirmada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, e representa uma reação direta à operação da Polícia Federal que, na manhã do mesmo dia, invadiu a casa do ex-presidente Jair Bolsonaro em Brasília e o obrigou a usar tornozeleira eletrônica.

Além de Moraes, também tiveram os vistos suspensos os ministros Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes. Apenas André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques ficaram de fora da lista de sanções.

Segundo Rubio, a medida responde ao que classificou como uma “caça às bruxas política” promovida por membros da Corte brasileira. “Ordenei a revogação dos vistos de Moraes e seus aliados no tribunal, bem como de seus familiares próximos, com efeito imediato”, afirmou Rubio em publicação nas redes sociais.

A medida de Washington gerou um abalo diplomático sem precedentes entre Brasil e Estados Unidos e escancarou a crescente tensão entre o Judiciário brasileiro e setores políticos alinhados ao ex-presidente Bolsonaro. O Itamaraty, até o momento, não se pronunciou oficialmente sobre a decisão americana.

Sanções atingem ministros e famílias

A revogação dos vistos não atinge apenas os magistrados, mas também seus familiares diretos. Entre os atingidos estão filhos e cônjuges de ministros que residem temporariamente ou estudam nos EUA. A suspensão dos vistos impõe barreiras a viagens pessoais e a futuras missões de cooperação internacional, além de representar forte constrangimento político para o STF.

A decisão repercute fortemente entre analistas e diplomatas, que apontam um precedente grave para as relações entre poderes institucionais de dois países democráticos. Fontes do STF ouvidas pela imprensa brasileira classificaram a medida como “intervenção externa inaceitável” e defendem resposta institucional coordenada entre os três Poderes.

Bolsonaro vira manchete mundial

A operação da Polícia Federal contra Bolsonaro dominou neste sábado (19) as capas dos principais jornais do mundo. O caso ganhou destaque em veículos como The New York Times, The Washington Post, El País, Le Monde, Der Spiegel e The Guardian, todos abordando a nova fase da crise institucional brasileira.

The Washington Post destacou que “os EUA punem juiz brasileiro por perseguição contra Bolsonaro”, ressaltando que a decisão de Trump de revogar vistos reflete o alinhamento político com o ex-presidente brasileiro.

El País, da Espanha, classificou a ação da PF como “o ápice de uma tensão judicial que arrasta o Brasil para uma disputa entre Judiciário e populismo”.

Le Monde, da França, colocou em sua manchete: “Bolsonaro sob vigilância eletrônica: ex-presidente do Brasil é alvo de ação inédita da polícia”.

Der Spiegel, da Alemanha, enfatizou os impactos políticos: “Bolsonaro com tornozeleira: Justiça brasileira desafia forças conservadoras”.

The Guardian, do Reino Unido, abordou a medida como parte de uma “crise crescente que compromete o papel do STF e a estabilidade política do país”.

A imagem de Bolsonaro usando tornozeleira eletrônica, circulando sob escolta, e impedido de acessar redes sociais ou manter contato com aliados próximos — como seu filho, deputado Eduardo Bolsonaro — ganhou ampla projeção.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes cita indícios de que pai e filho estariam atuando em conjunto em ações que atentariam contra a soberania nacional, inclusive usando a ameaça de tarifas de importação por parte do governo dos EUA como arma de pressão institucional.

Tensão entre Brasil e EUA

A medida do governo Trump também tem implicações comerciais. A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada recentemente por Donald Trump foi celebrada por aliados bolsonaristas, como Eduardo Bolsonaro, e mencionada no despacho judicial como uma forma de cooperação entre o ex-presidente e uma potência estrangeira contra instituições nacionais.

Com a crise, o governo Lula deve enfrentar desafios na gestão da política externa. Setores do Itamaraty avaliam que a retaliação americana compromete os canais diplomáticos entre os dois países. Ainda não há informação oficial sobre possível resposta brasileira, mas a expectativa é de que o Planalto atue para proteger a imagem do Judiciário e garantir que a soberania do país seja respeitada.

O Supremo Tribunal Federal deve se reunir nos próximos dias para discutir uma reação institucional. No Congresso, parlamentares bolsonaristas comemoraram as sanções, enquanto setores do centro e da esquerda demonstraram preocupação com o enfraquecimento da autoridade judicial e a possibilidade de interferência estrangeira nos assuntos internos brasileiros.

Enquanto isso, Bolsonaro reafirma que é vítima de perseguição política e se diz alvo de “um sistema que teme sua volta ao poder”. Ele segue monitorado e impedido de se manifestar publicamente sobre o processo.

A crise instaurada entre os EUA e o STF, impulsionada por tensões internas do Brasil, deve seguir dominando o debate político e diplomático nos próximos dias.

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