Luiza Ribeiro afirma que nomearam fiscal para não fiscalizar e cobra mudança na direção da reguladora.

Instaurada pela Câmara de Vereadores para apurar responsabilidades pelo péssimo serviço prestado em Campo Grande, a CPI do Transporte Coletivo vem escancarando a incompetência do poder público (prefeitura) e os engasgos grosseiros da concessionária, o Consórcio Guaicurus. O que mais estarrece são revelações e narrativas de inacreditáveis demonstrações de incapacidade e falta de inteligência da prefeita Adriane Lopes (PP) para organizar o sistema e fazer o consórcio cumprir suas obrigações.
Na sessão de segunda-feira, 05, a CPI ouviu o diretor-presidente da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Agereg), José Mário Antunes da Silva. Formado em Administração de Empresas e ex-secretário municipal de Assistência Social, seu visivel desconhecimento do assunto tratado na CPI foi uma confissão de que pouco ou quase nada sabe sobre o tema. E é ele que, à frente da reguladora, tem uma enorme parcela de responsabilidade pela fiscalização do serviço e das obrigações contratuais da concessionária.
Mudanças
Todos os vereadores e o público que foi ao Plenário Oliva Enciso perceberam o desconforto de José Mário a cada pergunta que não sabia a reposta ou errava na informação. A vereadora Luiza Ribeiro (PT) foi uma das mais contundentes, com seus questionamentos. Ao certificar-se que o chefe da Agereg expunha a fragilidade institucional e operacional do órgão, Luiza defendeu mudanças na atual presidência.
“O presidente da agência não tem preparo para exercer a função. Ele nem parece incomodado com a gravidade dos contratos que movimentam milhões por ano”, disparou a vereadora. Ela considera que a manutenção de José Mário no cargo deixa clara a tentativa do Executivo de esvaziar o papel da agência. “Colocaram alguém lá para não fiscalizar. Isto é gravíssimo. A Agereg precisa ter autonomia para proteger o interesse público, e não para obedecer ao Executivo”, completou.
Para Luiza, a prefeita Adriane Lopes se omite e sequer reconhece ser urgente adotar soluções adequadas, como nomear técnicos competentes na Agência que regula os serviços essenciais (de água, esgoto, coleta de lixo e transporte público. “Os campo-grandenses estão sendo lesados. A prefeitura não quer regular os serviços. Estamos sem uma regulação de verdade, e isso prejudica diretamente a população”, assinalou.






