Mesmo com ruas intransitáveis e crateras engolindo veículos, Miglioli não acha necessário decretar emergência.

Campo Grande é uma cidade ainda muito vulnerável ao impacto das intempéries, especialmente as chuvas fortes. Basta percorrer algumas ruas do centro e principalmente dos bairros para experimentar os dissabores de um estrago no automóvel, a quebra de uma bicicleta que cai num buraco e até o alagamento causado pelos danos que as águas provocam nas vias e logradouros públicos.
Não é preciso ser especialista ou engenheiro. Basta conhecer um pouquinho a capital de Mato Grosso do Sul para ver que ela está sendo tão judiada, e há tanto tempo, que qualquer chuva acaba com a tranquilidade das pessoas e isto exige um tratamento especial por parte da prefeitura.

Merece, porém não vai ter, porque o secretário municipal de Infraestrutura, Marcelo Miglioli, responsável pela execução das obras, afirma que ainda não é necessário baixar um decreto de emergência.
Se ainda não é necessária a emergência e se falta apenas – como ele diz – esperar os dias de estiagem para fazer a recuperação, certamente os campo-grandenses precisarão contar com o beneplácito de São Pedro ou dos deuses da chuva para que fechem as torneiras das nuvens e permitam ao Sr Miglioli fazer o que já devia ter sido feito. E há muito tempo, tendo em vista os enormes queijos suíços em que se transformaram as ruas, inclusive com crateras que impossibilitam a passagem de carros e pessoas.

Segundo o serviço de meteorologia, as chuvas da última semana chegaram a bater a média mensal, provocando mais de 100 pontos de alagamentos. Miglioli admitiu à imprensa que reconhece a intensidade e a continuidade das chuvas, que causaram o aumento de buracos nas ruas e até impediram o trânsito em diversas regiões da Capital, mas afirma a medida extrema não se justifica.
Para completar a espantosa avaliação, o secretário tem total apoio da prefeita Adriane Lopes, que também conhece muito bem a cidade e, ao contrário dele, anda bastante e sabe como estão às ruas – tais quais a sua gestão, infestadas de buracos.






