Comissão não avança muito, mas já demonstra que muita sujeira pode sair na investigação do transporte coletivo.

Embora em matéria de encaminhamentos ou providências concretas os resultados ainda não tenham aparecido, já ficou desenhado que a CPI do Transporte Coletivo, instaurado a duras penas pela Câmara Municipal de Campo Grande, pode trazer à tona coisas que envolvem o contrato entre a concessionária, o Consórcio Guaicurus, e a prefeitura.
Na primeira sessão com depoimentos, realizada ontem (segunda-feira, 28), valeram as críticas bem fundamentadas da engenheira civil Lúcia Maria Mendonça Santos, especialista em mobilidade urbana.
Houve momentos de tensão, um deles quando as críticas à gestão da prefeita Adriane Lopes e ao consórcio se tornaram mais ácidos e os fiéis da base governista abandonaram a sessão, seguidos por três oposicionistas, os vereadores Marquinhos Trad (PDT), Francisco Carvalho (União Brasil) e Landmark Ferreira (PT). E também não faltou o tom descontraído de uma abordagem equivocada de Lúcia Maria, que chamou de Coruja o vereador Coringa (MDB).
Landmark, Trad e Carvalho saíram do Plenarinho porque, sem fazer parte da comissão, pediram o uso da palavra, negado pelo presidente da CPI, Lívia Viana (União). Segundo Viana, só os integrantes da Mesa têm a palavra nesta reunião. A relatora da CPI, Ana Portela (PL), disse que a prefeitura precisa manter uma estrutura permanente de fiscalização do consórcio Guaicurus.

Ex-Prefeito
Solicitação interessante foi feita por Maicon Nogueira (PP); Anunciou um requerimento para que Marquinhos Trad também seja ouvido. “Ele foi prefeito de Campo Grande de 2017 a 2022, são seis anos”, justificou. Os colegas aprovaram a ideia, por entenderem que esta será uma ótima oportunidade para Marquinhos contar tudo o que sabe e o que passou quando foi responsável pelo transporte.
Na época citada por Nogueira, os campo-grandenses passaram a gestão de Marquinhos Trad anunciando dia e noite que a cidade seria uma referência nacional no transporte coletivo. Prometeu renovação regular da frota, com ônibus dotados de ar condicionado e equipado com aparelhos de acessibilidade, pontos seguros e cobertos em todas as linhas, manutenção dos terminais e pavimentação de todos os corredores. Depois dele, quase nada mudou com a sucessora, Adriane Lopes.
A engenheira Lúcia Maria, que foi ouvida por um sistema de videoconferência, responsabiliza a gestão municipal pelo que chama de caos no transporte. Salientou que o grande problema hoje não é o valor da passagem, mas a omissão de uma prefeitura que não faz a fiscalização dos contratos com o Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte público desde 2012. “Quando não há gestão, não há compromisso público e o sistema sempre será ruim”, sentenciou.






