Após três pregões consecutivos de alta na semana passada, o dólar operou em baixa durante praticamente todo o dia nesta segunda-feira, 31 de março de 2025, e fechou o mês com um recuo de 3,57%.

O dólar à vista acentuou o ritmo de baixa ao longo da tarde e encerrou cotado a R$ 5,7053, uma queda de 0,98% em relação ao valor de sexta-feira, 28 de março. A mínima do dia foi de R$ 5,7016. A moeda norte-americana acompanhou a diminuição da aversão ao risco no exterior, com a virada das bolsas em Nova York para o campo positivo. No Brasil, após uma alta pontual nos primeiros minutos, o dólar operou em terreno negativo durante o restante do dia. No acumulado do ano, a moeda registra uma baixa de 7,68%.
A semana começou com o mercado apreensivo devido à expectativa pelo anúncio de tarifas recíprocas pelo governo de Donald Trump, previsto para quarta-feira, 2 de abril, o que poderia desencadear uma guerra comercial. Apesar disso, o real teve um desempenho superior ao de outras moedas emergentes e de exportadores de commodities, desconsiderando o rublo russo. O peso colombiano e o rand sul-africano também se valorizaram, mas com ganhos menores.
Marcos Weigt, chefe da Tesouraria do Travelex Bank, destacou que o Brasil é menos afetado pelas tarifas e que o diferencial de juros atrai investidores estrangeiros. Ele não descartou a possibilidade de entrada de fluxo externo nesta segunda-feira.
Pela manhã, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que a instituição buscará a meta de inflação de 3% e que intervém no mercado de câmbio apenas em casos de “disfuncionalidade”, seja no segmento à vista ou no mercado de derivativos.
Operadores esperavam que o dólar pudesse ganhar força em relação ao real ao longo da tarde, após a definição da última taxa Ptax de março e do primeiro trimestre, mas isso não ocorreu. A formação da Ptax, que é a taxa de câmbio média ponderada utilizada para liquidação de contratos cambiais, influenciou as negociações, juntamente com ajustes de carteira e rolagem de posições no segmento futuro típicos de fim de mês.
Projeções para abril
Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, observa que, a partir de terça-feira, 1º de abril, com menos influência de fatores como a disputa pela Ptax, o mercado de câmbio local deve ser guiado por uma agenda intensa na semana. O clima é de aversão ao risco e desconforto com a expectativa pelas tarifas de Trump, o que aumenta a volatilidade dos ativos.
Além do anúncio das tarifas prometidas para quarta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, investidores aguardam a divulgação do relatório de emprego (payroll) nos EUA referente a março e o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ambos na sexta-feira, 4 de abril. Recentemente, indicadores mostraram uma piora no sentimento do consumidor e aumento das expectativas inflacionárias nos EUA.
Há temores de que retaliações de outros países possam deflagrar uma guerra comercial que desacelere a economia global. Bancos já veem maiores chances de recessão nos EUA com inflação ainda elevada, o que caracteriza a chamada “estagflação”. À tarde, o presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, disse esperar que a economia continue crescendo, mas em ritmo mais lento do que no ano passado. Williams pontuou que as incertezas em relação às tarifas de Trump ainda são elevadas e que é necessário avaliar qual será o impacto da política comercial americana sobre a atividade. Já o presidente do Fed de Richmond, Thomas Barkin, afirmou que não vê “cenário de estagflação no momento”.
Em linhas gerais, analistas avaliam que a mudança na política comercial americana pode levar a uma desaceleração da economia dos EUA e, consequentemente, a um cenário de juros mais baixos. Isso, teoricamente, seria positivo para o real em relação ao dólar – mas o aumento da aversão ao risco pode enfraquecer a moeda brasileira e pressionar a inflação.








