Influência do Federal Reserve e expectativas do Copom impactam na cotação do dólar.

O dólar registrou sua sétima sessão consecutiva de desvalorização frente ao real, fechando a quarta-feira (19/03) com a menor cotação em cinco meses. Este movimento acompanha a perda de força da moeda norte-americana no mercado internacional após a decisão do Federal Reserve (Fed) sobre as taxas de juros nos Estados Unidos.
A moeda norte-americana à vista encerrou o dia em baixa de 0,47%, cotada a R$5,6486, o menor valor desde 14 de outubro de 2024, quando fechou a R$5,5827. Nas últimas sete sessões, o dólar acumulou uma queda de 3,52% e, no acumulado do ano, uma desvalorização de 8,58%.
No início do dia, o dólar chegou a operar em alta frente ao real, refletindo a expectativa dos investidores pela decisão de política monetária do Fed, prevista para o meio da tarde. Contudo, ainda pela manhã, a moeda perdeu força e se aproximou da estabilidade em relação ao real, com profissionais do mercado observando que as negociações estavam “travadas” devido à espera pela decisão do Fed.
Às 15h, o Fed anunciou a manutenção das taxas de juros na faixa de 4,25% a 4,50%, conforme amplamente esperado. Houve, entretanto, divergências entre as autoridades sobre a trajetória adequada da política monetária, refletindo a incerteza quanto aos efeitos econômicos das políticas do governo dos EUA. Nove das 19 autoridades de política monetária do Fed preveem que a taxa de juros estará na faixa de 3,75% a 4,00% até o final deste ano, o que implica dois cortes de 25 pontos-base. Quatro autoridades consideram que um corte nos juros será apropriado este ano, enquanto outras quatro avaliam que o Fed não deveria reduzir os juros de forma alguma. Duas autoridades sugerem que três cortes seriam a decisão correta.
Outro ponto de atenção foi a redução pelo Fed da projeção de crescimento para 2025, de 2,1% para 1,7%, com uma taxa de desemprego ligeiramente maior no final do ano. Já a projeção do Fed para a inflação em 2025 aumentou de 2,5% para 2,7%.
Após a decisão, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA caíram e o dólar perdeu força em relação às principais moedas, impactando o câmbio e a renda fixa no Brasil.
Investidores também aguardavam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro, prevista para após as 18h30. Embora o mercado espere uma elevação de 100 pontos-base na taxa básica Selic, de 13,25% para 14,25%, os agentes estão ansiosos para conhecer a mensagem do Copom para a próxima decisão, em maio.
Atualizações do Mercado Financeiro em 20 de Março de 2025
Projeções de Inflação: O mercado financeiro aumentou a projeção da inflação para 2025. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,65% para 5,68% .
Risco de Recessão: Uma pesquisa realizada pela Genial/Quaest indica que 58% dos gestores, economistas e analistas consultados veem risco de recessão no Brasil em 2025 .
Dividendos e Proventos: A Cemig (CMIG4) anunciou quatro proventos para março e abril de 2025, atraindo a atenção dos investidores . Além disso, o Banco do Brasil (BBAS3) divulgou seu calendário de pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio para 2025 .
Previsões para o Dólar: De acordo com análises, o preço do dólar americano (USD/BRL) pode chegar a R$6,8047 até o final de 2025 .
Esses fatores refletem as expectativas e preocupações do mercado financeiro para o cenário econômico brasileiro em 2025.