Ayla Emanuelly está em abrigo sigiloso em Campo Grande. Justiça analisa melhor interesse da criança enquanto polícia apura rede de sequestro e tenta extradição para o Brasil de casal preso no Paraguai.

A pequena Ayla Emanuelly Pereira de Souza, de menos de um mês, já está de volta a Campo Grande e sob acolhimento institucional em local mantido em sigilo, enquanto a Vara da Infância e Juventude analisa os trâmites para sua possível entrega à família biológica.
O retorno da bebê à capital foi confirmado nesta terça-feira (11) pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que informou que Ayla “encontra-se em segurança, sob acolhimento e passa bem”.
Como tudo começou
O desaparecimento de Ayla foi registrado na quinta-feira (06/08), após a mãe, uma adolescente de 17 anos, ter sido atraída até um imóvel no bairro Universitário, em Campo Grande, com a promessa de ganhar R$ 100 para cuidar de uma criança.
Segundo o relato prestado à polícia, a jovem foi ao local acompanhada da irmã, de 12 anos, e, ao chegar, ambas teriam sido ameaçadas e obrigadas a entregar a recém-nascida.
O caso ganhou repercussão nacional e mobilizou forças de segurança dos dois lados da fronteira, após o Ministério da Justiça emitir alerta sobre o desaparecimento.

Resgate no Paraguai e prisões
A localização de Ayla ocorreu na madrugada de domingo (9), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão em um imóvel no bairro Virgen de Caacupé.
No local, a bebê estava com um casal de brasileiros: Weliton Aparecido Lopes dos Santos e Suzilaine da Graça Costa, presos em flagrante pelas autoridades paraguaias por suspeita de participação no sequestro.
Weliton, que estava com documentos falsos, é procurado no Brasil por condenação de 11 anos e seis meses por homicídio.
O casal foi entregue à Polícia Federal de Ponta Porã e permanece à disposição da Justiça, com possibilidade de extradição ou deportação para responder pelo crime em Mato Grosso do Sul.
Um terceiro suspeito, Alex Melo de Abreu, já havia sido preso em Campo Grande no sábado (08/08), acusado de emprestar o imóvel onde a bebê teria sido escondida antes de ser levada ao Paraguai.
Durante audiência de custódia, a prisão preventiva de Alex foi decretada, embora sua defesa alegue que ele não tinha conhecimento do sequestro.

Rastreamento por celular e cooperação internacional
A localização de Ayla foi possível graças ao rastreamento de sinais telefônicos e ao compartilhamento de informações entre as polícias brasileira e paraguaia, no âmbito do Acordo de Cooperação Policial Internacional.
Após ser encontrada, a bebê foi encaminhada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero para atendimento médico e, em seguida, repatriada para o Brasil.
Exames realizados não constataram ferimentos ou problemas de saúde, e Ayla está bem, saudável e se alimentando normalmente.
Trâmites judiciais e retorno à família
Apesar do resgate, Ayla não retornou imediatamente à família biológica. O Conselho Tutelar de Ponta Porã informou que a bebê só poderá ser entregue aos pais após decisão judicial, conforme os trâmites legais de proteção à criança.
Inicialmente, Ayla ficou sob acolhimento em uma unidade de Ponta Porã e, nesta terça-feira (11/08), foi transferida para Campo Grande, onde permanece em abrigo sigiloso por medida de proteção.
A Vara da Infância e Juventude deve avaliar o “melhor interesse da criança”, considerando os riscos já sofridos e as circunstâncias do sequestro, antes de autorizar o reencontro familiar.
Representantes da família disseram estar “aliviados” com o resgate e aguardam a definição da Justiça para o retorno de Ayla.
Investigações em andamento
A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) segue investigando as circunstâncias do sequestro, incluindo como a criança foi retirada de Campo Grande, quem participou da organização do crime e se há outros envolvidos.
Os celulares apreendidos com o casal preso no Paraguai devem ajudar a esclarecer a dinâmica do crime e identificar possíveis cúmplices.
A polícia também apura a atuação da mulher que teria enganado a mãe de Ayla pela internet, em grupo de venda ou doação de roupas infantis, e atraído a adolescente para o imóvel onde o sequestro ocorreu.
Enquanto as investigações avançam, Ayla permanece sob proteção do Estado, aguardando a decisão judicial que definirá seu retorno à família biológica.








