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Campo Grande, 06 de outubro de 2026

Vítima de violência doméstica finge pedir “dipirona” para alertar PM

  • 6 de agosto, 2025
  • Vídeo, Violência Contra a Mulher
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Mulher usou código em ligação ao 190 para denunciar marido; dias depois retornou para agradecer atendimento rápido e eficaz.

Ao ligar para o número de emergência 190, ela fingiu estar solicitando “dipirona”, medicamento analgésico, de modo a despistar o agressor — mas na verdade estava denunciando violência doméstica. (Imagem ilustrativa).

Uma mulher, cuja identidade não foi divulgada por questões de segurança, foi salva por agentes da Polícia Militar no último sábado (02/08), em Campo Grande (MS), após usar uma estratégia silenciada mas eficaz para pedir socorro.

Ao ligar para o número de emergência 190, ela fingiu estar solicitando “dipirona”, medicamento analgésico, de modo a despistar o agressor — mas na verdade estava denunciando violência doméstica, conforme divulgou a PM nesta terça-feira (05/08) durante a campanha Agosto Lilás, voltada ao combate à violência contra a mulher.

No início da ligação, o atendente explicou que não se tratava de uma farmácia. Mesmo assim, a solicitante permaneceu insistindo no pedido da dipirona. Nesse instante, o atendente percebeu que havia algo mais por trás daquela conexão. Com cautela, começou a formular perguntas disfarçadas.

Utilizando o código “30 gramas de dipirona”, ela indicou o nível de agressividade do agressor, e “sim” ou “não” foram respostas suficientes para que o policial identificasse a urgência da situação. Ele perguntou sobre a presença do marido, se ele estava armado, e a mulher confirmou os detalhes dos abusos de forma silenciosa e segura.

A Polícia Militar  alerta que a denúncia ou pedido de socorro pode e deve ser feita de forma anônima pelo 190, em situações de risco imediato. (Imagem ilustrativa).

Em seguida, uma equipe da PM foi deslocada rapidamente ao endereço da vítima e pôde retirá-la da situação de risco. O agressor foi preso em flagrante, conforme a corporação. Dias depois, a própria mulher retornou a ligação ao Copom, não para pedir ajuda, mas para expressar gratidão: “Na verdade, eu liguei para agradecer… Foi um atendimento muito rápido, porque tudo isso aconteceu no sábado. E muito obrigado por tudo”, relatou ela ao agradecer a equipe.

O caso serve como exemplo das formas enganosas que vítimas podem utilizar para pedir ajuda sem expor sua situação a quem a ameaça. A Polícia Militar enfatizou que a denúncia pode — e deve — ser feita de forma anônima pelo 190, em situações de risco imediato. Para outras modalidades de apoio, está disponível também o Disque 180 — Central de Atendimento à Mulher — que oferece acolhimento psicológico, orientação e encaminhamento jurídico.

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, em 2023 foram registradas mais de 15 mil chamadas relacionadas à violência doméstica ao 190 em Campo Grande, embora menos da metade tenha resultado em boletim de ocorrência. Essa disparidade destaca a complexidade enfrentada por vítimas na hora de formalizar denúncias.

A divulgação do vídeo da ligação, como parte das ações do Agosto Lilás, reforça a necessidade de reforço das redes de apoio às mulheres vítimas de violência e evidencia a importância da criatividade e coragem na busca por salva‑vidas invisíveis.

Confira o vídeo da vítima pedindo “Dipirona” no 190 em Campo Grande (MS):

https://folhacg.com.br/wp-content/uploads/2025/08/Y4SrmgiU1.mp4

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