Correligionário da prefeita, Maicon Nogueira levanta críticas à fragilidade de prédios públicos a invasões e assaltos.

Eleito e filiado ao PP, que é o partido da prefeita Adriane Lopes, o vereador Maicon Nogueira levantou na Câmara Municipal uma discussão que promete avançar e ser incluída na chamada “pauta podre” da gestão campo-grandense.
Trata-se da facilidade com que os prédios públicos do Município são invadidos por assaltantes ou até ocupados por pessoas alheias ao ambiente para práticas delituosas.
Segundo o vereador, são constantes os roubos e danos praticados nas repartições, principalmente escolas e postos de saúde, o que indica a fragilidade dos sistemas de segurança sob responsabilidade da prefeitura. Para ele, tais fatos poderiam ser evitados ou reduzidos substancialmente se a prefeita adotasse uma política pública de segurança eficiente.
Entre as providências que já deveriam ter sido tomadas estão, por exemplo, dotar os prédios públicos com monitoramento tecnológico de ponta, implementar ações ou programas de cobertura integrada com as polícias estaduais e valorizar efetivamente os efetivos da Guarda Civil Metropolitana (GCM), observa Nogueira. “É preciso dificultar a ação dos mal-intencionados”, completou.
Nogueira afirma que esses roubos causam grandes prejuízos aos cofres públicos e, pior, prejudicam procedimentos urgentes, como nos casos de assistência emergencial a pacientes do SUS.
Ele se refere aos artigos essenciais de consumo em escolas e unidades de saúde, além de equipamentos e materiais de instalações hidráulicas e elétricas, sobretudo as fiações de cobre, sistemas de ar-condicionado, computadores, utensílios de cozinha, móveis, lâmpadas e outros produtos.
Ação contundente
O problema já vinha sendo abordado pelos vereadores desde o ano passado. Agora, no entanto, parece estar prosperando na Câmara a ideia de uma ação mais contundente.
Um vereador da base governista segredou que, mesmo não cabendo abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), o Legislativo pode acionar a prefeita para propor uma solução de curto prazo diante da gravidade dos fatos.
Para Nogueira, muito mais grave é a omissão, citando a postura de Adriane Lopes ao desconsiderar a necessidade de modernizar as bases operacionais. “A prefeitura não vê prioridade em adquirir equipamentos adequados para a GCM, por exemplo. Isto é inadmissível”, exclama. Ele afirma que há equipamentos simples capazes de otimizar os efetivos de segurança.
Para exemplificar, ele argumenta que com uma câmera de apenas R$ 200,00 em um posto de saúde é possível deslocar de lá um guarda municipal e colocá-lo para reforço do patrulhamento nas ruas. “É bem mais barato instalar uma câmera do que deixar que sejam roubados da escola ou do posto um equipamento que vale R$ 50 mil.
É uma falta de consideração, de gestão e de visão estratégica”, dispara.
Vários casos
A Escola Municipal José Rodrigues Benfica, no Bairro Amambaí, foi invadida recentemente. Criminosos pularam o muro da escola durante um final de semana, deixando salas reviradas, objetos espalhados e sinais visíveis de depredação pelo pátio. Em junho, no Jardim Botafogo foi levada toda a fiação elétrica de uma escola, o que obrigou a direção a suspender as aulas, e no Jardim Colibri estudantes de um estabelecimento da Rede Municipal fizeram as atividades no escuro, após o terceiro furto de cabos elétricos.

Na Escola Municipal Nazira Anache (Jardim Anache), câmeras de monitoramento flagraram homens pulando o muro para furtar torneiras e aparelhos de ar-condicionado. Já na Escola Arlene Marques um homem foi preso em flagrante pela GCM ao invadir o colégio de madrugada para praticar furtos, provavelmente de fios de cobre, que são muito utilizados para venda em ferro velho ou aquisições de papelotes de droga.
A Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Botafogo sofreu com um blecaute causado pelo furto de cabos elétricos, deixando centenas de moradores sem atendimento. Entre os demais casos, um chama a atenção: num espaço de dois meses, a Unidade de Saúde da Família (USF) da Vila Carlota foi alvo de nada menos que sete furtos, o que levou ao cancelamento contínuo de mais de 200 consultas programadas.







