Ministério da Saúde reforça testagem gratuita, lança plataforma de monitoramento e amplia ações de prevenção no SUS.
As mortes por hepatites virais vêm caindo de forma significativa em Mato Grosso do Sul. De acordo com o novo Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais, divulgado pelo Ministério da Saúde, entre 2014 e 2024 o Estado registrou uma redução de 72% nos óbitos por hepatite B e de 67% por hepatite C.
No mesmo período, os casos confirmados de hepatite B caíram de 23, em 2013, para apenas 5 em 2024. Já os registros de hepatite C oscilaram ao longo da década, passando de 112 casos em 2013 para 178 em 2024 — com exceção de 2014, 2020 e 2021, quando os números ficaram abaixo de 100 casos.
Taxas e alertas recentes
A taxa de detecção da hepatite B no Estado em 2024 foi de 6,0 casos por 100 mil habitantes, número acima da média nacional. Em Campo Grande, um alerta foi emitido após o registro de 119 casos de hepatite A em outubro de 2024, o que reforçou a atenção para o perfil epidemiológico da região.
Desafios na adesão ao tratamento
Apesar dos avanços nos indicadores de mortalidade, o número de pessoas que iniciam o tratamento ainda está abaixo do ideal. Em 2024, 1.118 pessoas receberam indicação para tratar a hepatite B em Mato Grosso do Sul, mas apenas 430 iniciaram o acompanhamento. Para a hepatite C, 130 pacientes foram indicados ao tratamento, e 96 começaram a terapia.
No cenário nacional, dos 115,3 mil pacientes com indicação de tratamento para hepatite B, apenas 58,8 mil aderiram. No caso da hepatite C, 12,5 mil pessoas foram indicadas, com 9,1 mil iniciando o processo.
Ações do Ministério da Saúde
Como parte da campanha “Julho Amarelo”, o Ministério da Saúde lançou a ação “Um teste pode mudar tudo”, incentivando o diagnóstico precoce e o início do tratamento ainda nos estágios iniciais da infecção. A pasta também destacou a importância da vacinação e dos testes rápidos disponíveis gratuitamente no SUS.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que o Brasil conta com “o maior e mais abrangente sistema público de vacinação do mundo” e que a ampliação da testagem tem sido fundamental no enfrentamento das hepatites virais.
Plataforma de monitoramento e meta da OMS
Inspirado na estratégia de combate ao HIV, o governo federal também lançou uma plataforma inédita de monitoramento que permite identificar, por estado e município, o número de pessoas diagnosticadas com hepatites B e C, além de dados sobre início de tratamento e tempo de acompanhamento.
A iniciativa faz parte da meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que busca reduzir em 65% as mortes causadas por hepatites virais até 2030. No Brasil, entre 2014 e 2024, as mortes por hepatite B caíram 50% e por hepatite C, 60%.
Avanços clínicos e terapêuticos
Especialistas atribuem os avanços à ampliação da vacinação contra hepatite B, à introdução de antivirais de ação direta no tratamento da hepatite C a partir de 2015 (com taxa de cura superior a 95%) e à oferta gratuita de medicamentos como tenofovir e entecavir (para hepatite B), além dos DAA (antivirais de ação direta) para hepatite C.
Prevenção e testagem
A principal recomendação continua sendo a testagem regular, já que as hepatites virais são consideradas doenças silenciosas, muitas vezes sem sintomas aparentes. O Ministério da Saúde orienta que todos os adultos com mais de 20 anos façam, pelo menos uma vez na vida, o teste para hepatites B e C, que está disponível de forma gratuita nas unidades básicas de saúde.
Balanço dos últimos 10 anos em MS:
Indicador 2014 2024 Variação
Óbitos por hepatite B 11 3 –72%
Óbitos por hepatite C 31 10 –67%
Casos confirmados de HBV 23 5 –78%
Casos confirmados de HCV 112 178 +59%*
* com flutuações durante o período.
Mato Grosso do Sul segue alinhado às metas da OMS e do Ministério da Saúde, com queda expressiva nos óbitos por hepatites virais, mas ainda enfrenta obstáculos como baixa adesão ao tratamento. A ampliação da testagem e do acesso à terapia é considerada essencial para avançar no controle das infecções e alcançar a eliminação dessas doenças até 2030.






