Governo federal questiona razões do caos no sistema que só no Orçamento do Município tem mais de R$ 2,2 bilhões.

No dia 02 de março deste ano, durante audiência pública realizada pela Câmara de Vereadores para debater o caos no sistema público de saúde em Campo Grande, apontando as causas e soluções, um intrigante questionamento foi levantado por autoridades credenciadas do setor.
De acordo com o superintendente regional e representante do Ministério da Saúde, médico Ronaldo Costa, a Prefeitura Municipal deve explicações à sociedade sobre o que faz com o orçamento de R$ 2 bilhões 250 milhões destinados para a saúde no exercício de 2026.
E ao levantar o questionamento, Costa disse que em um ano foram gastos desse orçamento R$ 827 milhões, mas não haveria notícias sobre o paradeiro de aproximadamente R$ 600 milhões. “A gente não sabe onde está esse dinheiro, onde foi aplicado”, disse.
Como o caos continua e as pessoas continuam sendo muito prejudicadas pelo quadro crítico da rede pública, as cobranças se intensificam.
No MPE
O blogueiro Bruno Ortiz Barbosa anunciou que vai levar “algo muito sério” ao Ministério Público Estadual (MPE), referindo-se ao desaparecimento desse recurso.
Ele se reportou àquela audiência na Câmara, salientando que todos os vereadores – da base governista – “ficaram quietinhos” quando Costa fez a cobrança. Ele reproduz o vídeo com a fala do superintendente, ao salientar que em caixa deveriam estar os R$ 600 milhões, pois só haviam sido pagos R$ 827 milhões do bolo orçamentário.
Esta conta, na verdade, precisa ser feita e refeita, diante do que há de restos a pagar e do que foi feito com o que saiu para ser aplicado no sistema. “A Saúde é dever do Estado, com estrutura de financiamento tripartite – federal, estadual e municipal, mas o orçamento da Saúde no município não está sendo executado”, assinalou Costa. “Participei do relatório da prestação de contas e naquele dia, do mês de outubro, vimos que, dos R$ 2,25 bilhões, o município tinha executado R$ 528 milhões, referentes aos oito primeiros meses do ano”, mencionou.
“E é por isto que não tem gratificação e nem valorização do servidor, não tem remédio. Sumiu quase um bilhão e nenhum vereador fala alguma coisa”, ataca Ortiz. “São R$ 600 milhões que desapareceram. Isto é muito grave. O que eu posso fazer, por enquanto, é denunciar”, dispara Ortiz.
Na audiência, Ronaldo Costa observou que apesar da crise no sistema, o Ministério da Saúde lançou programas para redução de filas e empenhou recursos adicionais.
Ele se posicionou contra a ideia da prefeita de terceirizar as UPAs e os Centros Regionais, submetendo-os às Organizações Sociais (OS).
Defendeu com veemência um SUS universal e gratuito. Por sua vez, vereadores oposicionistas continuam cobrando a prefeita Adriane Lopes sobre o uso indevido de mais de R$ 150 milhões do orçamento da saúde.
A denúncia foi formalizada pelo Conselho Municipal de Saúde e até agora nenhuma justificativa convincente foi apresentada, a não ser a informação de que o dinheiro teria sido utilizado para pagar salários de servidores.






