Plenário lotado de servidores pressiona vereadores contra projeto piloto para CRS Aero Rancho e Tiradentes.

A prefeita Adriane Lopes amargou sua primeira grande derrota em 2026 na Câmara Municipal de Campo Grande (MS), com a rejeição por 17 votos a 11 do projeto de lei que autorizava terceirização da gestão administrativa dos Centros Regionais de Saúde (CRS) Aero Rancho e Tiradentes via Organizações Sociais de Interesse Público (OSC), como projeto piloto.
O plenário superlotado de servidores da saúde exerceu enorme pressão, refletindo a angústia e revolta com a condução da área pela gestão municipal. Os vereadores atenderam o clamor da população e não cederam ao Executivo.
O Projeto de Lei 12.405/26 previa um piloto de um ano para aprimorar a gestão administrativa nas unidades, que concentram alto volume de atendimentos e custeio exclusivo municipal. Vereadores como Carlos Augusto Borges (Carlão), André Salineiro e Rafael Tavares apresentaram 14 emendas para maior transparência e fiscalização, mas o texto foi derrubado na sessão ordinária desta terça-feira (05/05).

Pressão e debate intenso
A mobilização de sindicatos, Conselho Municipal de Saúde e até o superintendente estadual de Saúde, Ronaldo Costa, foi essencial para sensibilizar os parlamentares. Audiência pública em 10 de abril e adiamento da votação na quinta-feira anterior permitiram amplo debate, mas a resistência prevaleceu.

Votaram contra:
Marquinhos Trad (PV), Landmark (PT), Flávio Cabo Almi (PSDB), Jean Ferreira (PT), Luiza Ribeiro (PT), Dr. Victor Rocha (PSDB), Maicon Nogueira (PP), Silvio Pitu (PSDB), Dr. Lívio (União Brasil), Veterinário Francisco (União Brasil), Otávio Trad (PSD), Dr. Jamal (MDB), Ana Portela (PL), Delei Pinheiro (PP), Fábio Rocha (União Brasil), Ronilço Guerreiro (Podemos) e André Salineiro (PL).
A favor:
Carlão (PSB), Clodoilson Pires (Podemos), Herculano Borges (Republicanos), Junior Coringa (MDB), Leinha (Avante), Neto Santos (Republicanos), Professor Juari (PSDB), Professor Riverton (PP), Wilson Lands (Avante), Rafael Tavares (PL) e Beto Avelar (PP).
Falas dos protagonistas
O presidente da Câmara, Epaminondas Neto (Papy, PSDB), celebrou o debate democrático. “Essa Casa tem trabalhado. Quando me perguntaram por que trazer esse assunto polêmico para a Casa? Porque o protagonismo da Câmara, desde o começo desta gestão, é defender que aqui é a sede do debate, das coisas que são importantes, sejam elas difíceis, fáceis, polêmicas ou não. É o vereador e vereadora eleita que têm que debater, deliberar e decidir”, afirmou. Ele reforçou: “Temos que estar de olho em quem está lá no posto para ser atendido”.
Presidente da Comissão de Saúde, Dr. Victor Rocha (PSDB), votou contra e defendeu valorização dos servidores. “Meu voto é contrário. Entendo que o que precisa é valorizar servidores da saúde, ampliar leitos hospitalares, fazer mutirões de consultas especializadas, exames e também cirurgias eletivas, além de enfrentar o problema da judicialização que leva grande parte dos recursos”.
Victor Rocha também destacou diálogo: “Eu sou do diálogo, não do confronto. Busco sempre transformar dificuldades em soluções. Conversamos com a prefeita Adriane Lopes, com o secretário de Saúde, doutor Marcelo Vilela, e com o doutor Ulisses, da área de governo, e propusemos que daqui sairá uma solução para avançarmos na melhoria da saúde pública em Campo Grande”. E completou: “É preciso ouvir o servidor público municipal, o Conselho Municipal de Saúde, os sindicatos, os usuários do sistema público de saúde”.
Vitória dos servidores
Ângelo Macedo, presidente do SINTE, comemorou: “Foi uma luta árdua, mas valeu a pena. Graças a Deus conseguimos evitar o que, para nós, sem dúvida alguma, seria um desastre para o serviço público, para o usuário e para Campo Grande. Então, com o apoio dos vereadores, conseguimos uma vitória marcante — um exemplo, inclusive, para a defesa do SUS em nível nacional. Estamos felizes com esse resultado”.
Com a rejeição, a terceirização fica barrada por ora, mas o debate sobre melhorias na saúde pública segue em pauta na Capital, tendo em vista a quantidade de reclamações com relação a falta de infra estrutura nas Unidades de Saúde, falta de insumos e a demora no atendimento.
Acompanhe no vídeo a movimentação quando os vereadores derrubam o Projeto enviado por Adriane Lopes à Câmara para autorizar terceirização da gestão administrativa dos Centros Regionais de Saúde (CRS) Aero Rancho e Tiradentes via Organizações Sociais de Interesse Público (OSC).








