Nelsinho Trad e Tereza Cristina criticam proposta que cria 18 novas vagas na Câmara Federal com gasto extra anual que pode chegar a R$ 150 milhões

A proposta que amplia o número de deputados federais na Câmara, aprovada na noite de ontem (25/06) pelo Senado, gerou críticas e votos contrários dos três senadores de Mato Grosso do Sul. Nelsinho Trad (PSD), Tereza Cristina (PP) e Soraya Thronicke (Podemos) foram unânimes na rejeição ao projeto, que prevê o aumento de 513 para 531 parlamentares a partir das eleições de 2026.
Mato Grosso do Sul está entre os oito estados que não terão mudanças em sua bancada, permanecendo com oito deputados federais. A redistribuição das vagas leva em conta os dados populacionais do Censo de 2022, beneficiando principalmente estados das regiões Norte e Centro-Oeste, que registraram crescimento populacional acima da média nacional.
Durante a votação, o senador Nelsinho Trad justificou sua posição contrária alegando preocupação com os custos públicos. “O povo brasileiro não quer mais aumento de despesa pública com políticos. Por isso, meu voto é não”, afirmou.
A senadora Tereza Cristina também se manifestou contra o projeto. Segundo ela, mesmo com o congelamento de gastos previsto até 2030, o aumento inevitavelmente trará impacto financeiro a médio prazo. “Não podemos ignorar a percepção da sociedade, que rejeita a ampliação de cargos políticos, principalmente num momento de contenção fiscal”, argumentou a parlamentar.
De acordo com cálculos do próprio Senado, a ampliação da Câmara deverá gerar um custo adicional estimado em R$ 150 milhões por ano a partir de 2027. Esse valor inclui salários, verbas de gabinete, auxílio-moradia, passagens aéreas e demais benefícios concedidos aos parlamentares.
Para tentar minimizar o impacto, o texto aprovado prevê que os atuais gastos da Câmara não terão aumento real até 2030, sendo corrigidos apenas pela inflação oficial acumulada no período, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
O relator da proposta, senador Marcelo Castro (MDB-PI), defendeu a medida dizendo que a redistribuição é uma correção necessária diante das mudanças demográficas no país. Ele lembrou que a última atualização da representação estadual na Câmara ocorreu há quase 40 anos, com base no Censo de 1986.
Agora, o projeto segue para a Câmara dos Deputados, onde passará por votação final. Caso também seja aprovado, a nova configuração de 531 deputados federais começará a valer já na próxima legislatura, após as eleições de 2026.
Da esquerda para direita, os senadores sul-mato-grossenses Nelsinho Trad (PSD), Tereza Cristina (PP) e Soraya Thronicke (Podemos). (Fotos internas e capa: Agência Senado)






