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Campo Grande, 14 de outubro de 2026

Riedel se filia ao PP e Azambuja reforça folego político do PL em MS

  • Geraldo Silva
  • 19 de agosto, 2025
  • Politica
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Mudanças no tabuleiro político sul-mato-grossense miram reeleição do atual governador e lideranças abandonam ninho tucano.

O governador Eduardo Riedel e o ex-governador Reinaldo Azambuja devem conduzir, de partidos diferentes, a mesma articulação política em Mato Grosso do Sul.

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, oficializa nesta terça-feira (19/08), em Brasília, sua filiação ao Progressistas (PP). A mudança encerra a era tucana no comando de governos estaduais — iniciada em 1994 — e simboliza a nova lógica de sobrevivência e fortalecimento político no Brasil pós polarização.

A escolha de Riedel pelo PP não se deu por acaso. A sigla já tinha musculatura local, sob a liderança da senadora Tereza Cristina, figura de peso no Congresso e ligada diretamente ao campo bolsonarista, e do presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro. Com a entrada do governador, o partido consolida-se como o principal polo de poder em Mato Grosso do Sul.

A filiação fortalece a ideia de que o PP é hoje um dos partidos mais adaptáveis da política brasileira: já esteve na base de governos petistas, tucanos e bolsonaristas, sempre preservando espaço. Em MS, passa a ter, simultaneamente, o governo estadual, o comando da Assembleia e uma das principais lideranças nacionais.

Paralelamente, o ex-governador Reinaldo Azambuja articula sua ida ao PL. Embora não haja data oficial para a filiação, aliados dão o movimento como certo. O gesto devolve protagonismo a um partido que vinha fragilizado por disputas internas e pela perda de sintonia com setores conservadores locais.

Riedel dá maior musculatura ao Progressistas, já poderoso comandado por Tereza Cristina e que conta com nomes como o presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro.

Esse arranjo cria um bloco articulado entre PP e PL, sustentado pela proximidade de Riedel com Azambuja e pelo elo de Tereza Cristina com Jair Bolsonaro. Na prática, os dois partidos tendem a caminhar juntos nas eleições de 2026, com a prioridade clara de reeleger Riedel.

Efeitos no cenário nacional

A presença simultânea de Riedel no PP e de Azambuja no PL projeta uma aliança hegemônica, capaz de reorganizar chapas majoritárias e proporcionais. A leitura é de que outros partidos médios, como PSD e União Brasil, terão dificuldade em oferecer alternativas competitivas sem compor com esse bloco.

O efeito imediato é uma recomposição do poder no estado: o PP, que já vinha forte, ganha centralidade no governo; o PL, que perdia espaço, se revitaliza com a chegada de Azambuja. Ambos, juntos, passam a ocupar o papel de “eixo estruturante” da política sul-mato-grossense.

No plano nacional, a saída de Riedel do PSDB é mais um capítulo no esvaziamento do partido. Em 2022, o PSDB ainda elegeu três governadores; em menos de dois anos, todos deixaram a legenda. A filiação de Riedel ao PP confirma que os partidos tradicionais perderam a capacidade de reter quadros de governo.

Ao mesmo tempo, o movimento ilustra a fragmentação e o pragmatismo da política atual: governadores buscam siglas que garantam estrutura eleitoral, capilaridade regional e acesso a recursos de campanha — não necessariamente identidade ideológica.

Aliança antecipada

Com a movimentação de Riedel e Azambuja, Mato Grosso do Sul deve se tornar um dos estados mais organizados em termos de alianças partidárias para 2026. PP e PL, juntos, oferecem o que nenhum outro campo político tem hoje: governo estadual, base legislativa sólida, conexão nacional e um projeto claro de poder.

A prioridade do grupo, portanto, torna-se inequívoca: a reeleição de Eduardo Riedel. E, a depender do desenho nacional, esse arranjo pode transformar o MS em vitrine de como partidos de centro-direita podem se reorganizar num cenário em que antigos protagonistas — como o PSDB — se tornam coadjuvantes.

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