Com sua liderança esvaziada no partido, ex-governador tenta valorizar o fim de carreira

Um dos fatos mais impactantes da política local nestes últimos dias em Mato Grosso do Sul foi o chororô sentido do ex-governador André Puccinelli (MDB), alegando que ele e seu partido não foram atendidos à altura pelo governo do tucano Eduardo Riedel. A reclamação é atribuída ao acordo que o emedebista liderou em 2022 para apoiar a candidatura de Riedel a governador, tendo na mesa, em troca, a cobrança de cargos de escalão superior.
As lamúrias de André Puccinelli até que teriam sentido e mérito se estivessem no campo da realidade, o que não ocorre. Seu jogo peca pela falta de inteligência ou pelo amadorismo de quem tenta minimizar a notoriedade de sua decadência política. O desgaste se acumulou nos anos de exposição negativa, sendo alvo principal de várias operações policiais e marcado por fracassados desempenhos eleitorais.
Mesmo assim, em reconhecimento ao saldo de influência política que lhe restou e considerando a importância do MDB na composição de uma gestão plural, Riedel e o PSDB aquiesceram às exigências alinhadas por Puccinelli. E as acolheram, tanto no âmbito de interesses partidários como nas contas pessoais de quem ainda pensa em seguir na vida pública disputando mandatos.
O atendimento às expectativas de André Puccinelli e do MDB já era feito bem antes do acordo das eleições de 2022. São muitos os exemplos, como a decisão de Riedel de nomear o deputado estadual Eduardo Rocha para chefiar uma das secretarias mais fortes do governo, a da Casa Civil. E, recentemente, a repatriação do ex-senador Waldemir Moka ao território de prestígio político com a chefia do Escritório de Representação Institucional de Mato Grosso do Sul em Brasília.
Além de tudo, o que marca mesmo esta parceria, e é um assunto de bastidores, está nos suportes que Puccinelli recebeu e seguirá recebendo do governo e do PSDB para viabilizar seu projeto de concorrer a uma das vagas de deputado estadual em 2026. Desta forma, soa estranha – e é vista até como ingratidão – a queixa pública feita por um ex-governador, que só não morreu politicamente e não chegou ao fundo de um medonho abismo de decadência graças ao socorro prestado a ele e ao MDB pelo PSDB-MS e pelo governo de Mato Grosso do Sul.






