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Campo Grande, 03 de outubro de 2026

PT mira vice para o MDB e põe futuro de Alckmin em xeque

  • 6 de fevereiro, 2026
  • Eleições 2026, Politica
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Oferta de vaga na chapa de Lula enfrenta resistência interna, palanques estaduais conflitados e pressão de aliados emedebistas por definição rápida.

Presidente Lula e o e vice-presidente, Geraldo Alckmin. (Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo).

Um grupo do PT encarregado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de articular sua reeleição pretende fazer uma ofensiva para incluir o MDB na chapa que será levada às urnas em outubro.

O principal trunfo a ser oferecido ao partido é o posto de vice, o que deslocaria Geraldo Alckmin (PSB) para a disputa eleitoral de São Paulo.

Atualmente, a legenda ocupa três ministérios no governo, mas a cúpula emedebista resiste a um alinhamento eleitoral.

Ministro Renan Filho e governador Helder cumprem agenda conjunta no Pará -  Portal de Notícias
Alternativas para Lula: Renan Filho e o governador Pará, Helder Barbalho no momento tem planos de disputar a eleição em seus estados, concorrendo ao governo e ao Senado, respectivamente.

Caso um acordo vingue, os citados para eventualmente ocupar o posto de vice de Lula são Renan Filho e o governador Pará, Helder Barbalho. Ambos tem no momento, planos de disputar a eleição em seus estados, concorrendo ao governo e ao Senado, respectivamente.

A história do MDB sempre foi marcada por divisões regionais. Mesmo quando a legenda formalizou as alianças com Dilma Rousseff em 2010 e 2014 com a indicação de Michel Temer para vice, houve dissidências em estados como o Rio Grande do Sul.

Por isso, a cúpula do PT sabe que seria impossível contar com o apoio integral do partido e tenta construir uma aliança formal no plano nacional que garanta o tempo de televisão para o petista, mas com liberação dos diretórios estaduais.

Com a decisão do PSD de lançar um candidato a presidente, reforçada após a entrada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, no partido na semana passada, o MDB passou a ser visto pelos petistas como a única opção caso queira ter na chapa uma legenda de centro.

Os governistas tem se empenhado em atrair setores do União Brasil, mas sabem que o partido não assumirá uma posição formal a favor de Lula.

Há uma percepção no entorno de Lula de que a única chance de atrair o MDB é com a oferta do posto de vice. Por isso, o presidente se mostraria disposto a sacrificar Alckmin, apesar de costumar elogiar o seu desempenho no posto.

Nesse caso, o atual vice-presidente poderia disputar o Senado ou o governo de São Paulo.

Espero que não venham', diz Nunes sobre migração de venezuelanos a São  Paulo | VEJA

Nunes resistente
A maior resistência hoje no MDB a um acordo com o PT está no prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. No segundo turno da eleição presidencial de 2022, Nunes resistiu a um apoio formal do partido ao petista contra Jair Bolsonaro (PL), enquanto a candidata emedebista naquela eleição, Simone Tebet, subiu no palanque e foi peça importante para a vitória de Lula.

Na disputa de 2024, em que foi reeleito, o prefeito de São Paulo teve o apoio de Bolsonaro, que chegou a indicar o seu vice, Coronel Mello Araújo (PL). Ao longo da campanha, porém, Bolsonaro se distanciou de Nunes.

O prefeito da capital paulista afirma respeitar a posição de seus colegas de partido que estão no governo, os ministros Jader Filho (Cidades), Renan Filho (Transportes) e Simone Tebet (Planejamento), mas acredita que uma adesão a Lula não seria aprovada nas instâncias internas.

“A maioria do partido tem uma posição predominante contrária ao apoio a esse governo do PT, que tem sido uma catástrofe”, diz Nunes.

Aliados de Lula no MDB entendem que a posição assumida pelo prefeito da capital paulista é, em parte, resultado do papel desempenhado pelo presidente na eleição de 2024.

O mandatário se engajou com afinco na campanha de Guilherme Boulos (PSOL), que perdeu a disputa no segundo turno, com participações no horário eleitoral, presenças em comícios e pressão para que o PT colocasse R$ 44 milhões na campanha do ex-líder dos sem teto.

A decisão recente do presidente de fazer com que Simone Tebet mude o seu domicílio eleitoral para São Paulo para disputar uma cadeira no Senado pelo estado também contribuiu para acirrar os ânimos com o comando do MDB.

Dirigentes petistas acreditam que Tebet poderia permanecer no MDB se a aliança com Lula vingasse. Mas Nunes tem um compromisso de apoiar a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputada estadual. Uma hipótese é a ministra do Planejamento se transferir para o PSB.

Caciques veem demora
No grupo dos defensores da aliança entre Lula e o MDB estão, além dos ministros, os ex-presidentes do Senado Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho (PA) e Eunício Oliveira (CE), além do senador Eduardo Braga (AM).

A ala governista do partido avalia, porém, que a cúpula do PT está demorando muito para iniciar as conversas em torno da possível aliança.

Ministro de Lula em seu primeiro mandato, Eunício afirma que o caminho do partido ainda não está definido:
“Tenho uma aliança no estado do Ceará, já liberada pela direção nacional do partido, para apoiar o presidente Lula. Ainda não sabemos como o MDB vai defender a sua posição a nível nacional”.

Caso não haja acordo, a definição sobre os rumos do partido na eleição pode ser levada para a convenção. Os dois lados dizem ter maioria para vencer a disputa.

Nesse caso, os números de delegados que cada diretório tem na convenção é calculado com base na votação para deputado que o partido obteve em cada estado na eleição anterior.

Parlamentares também votam e podem ter o voto computado em dobro se também forem designados delegados.

Baleia Rossi, por exemplo, vota como delegado, deputado e presidente do partido. Pelos cálculos de lideranças nacionais da sigla, hoje 17 diretórios são contra uma aproximação com o PT e dez são a favor.

Com informações do Portal O Globo Política

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