Segundo o governador, novos investimentos vão chegar, entre eles plantas industriais que chegam a R$ 100 bilhões
Em entrevista exclusiva ao portal “O Jacaré”, o governador Eduardo Riedel (PSDB) não hesitou em afirmar e reafirmar que seu otimismo com o futuro de Mato Grosso do Sul tem bases cada vez mais sólidas. Ele justifica tamanha confiança na realidade de indicadores e balanços periódicos que demonstram um ciclo de prosperidade e progresso, assinalado por grandes iniciativas empresariais impulsionadas com a efetiva presença das políticas públicas governamentais.

Entre os sinais deste cenário, Riedel mencionou o fortalecimento do agro e a maiúscula expansão industrial, avanços que atestam a existência de um ambiente de negócios que oferece segurança aos investidores nacionais e internacionais. Ele chegou a exemplificar com um panorama que poderia ser chamado de uma preocupação feliz, diante da escassez da mão-de-obra local para atender vagas de trabalho em determinados da economia.
Até 2026 devem ser investidos até R$ 100 bilhões para as indústrias, sobretudo nas áreas de celulose, carne e citricultura. Mesmo tendo uma realidade de pleno emprego, com apenas 3,4% de desocupação, a falta de mão-de-obra para algumas atividades ainda é um problema. O Estado, no entanto, vem procurando resolvê-lo e tem avançado significativamente, disse.
DINÂMICA
Riedel descreveu os avanços e o planejamento estratégico elaborado para criar uma dinâmica firme de desenvolvimento sustentável, social e economicamente alinhada com as vocações locais. “É um ciclo muito positivo na economia, desperta a atenção dos grandes grupos empresariais”, salientou, citando obras de grande porte. Um deles é a unidade industrial da Suzano, em Ribas do Rio Pardo, inaugurada na semana passada com a presença do presidente Lula. Considerada a maior fábrica de celulose de linha única do mundo, o investimento do grupo foi de R$ 22 bilhões.
Um detalhe interessante: embora em front político-eleitoral oposto ao de Lula, o governante sul-mato-grossense foi ao ato festivo da Suzano para saudar o presidente da República e sua comitiva, além de destacar o papel da iniciativa privada na consolidação das políticas públicas de incentivo ao crescimento com geração de empregos e renda. O evento contou com a presença dos dirigentes dos maiores grupos empresariais do País.
Sobre os investimentos de R$ 100 bilhões nos próximos dois anos, Riedel informou que cerca de 50% estão reservados ao setor de celulose, como a construção da fábrica da multinacional chilena Arauco na cidade de Inocência, desembolsando R$ 24 bilhões. Este projeto já absorveu durante o atual exercício R$ 500 milhões em serviços de terraplanagem.
Outros investimentos foram ressaltados, entre os quais os da Bracell, para construir outra fábrica de celulose em Água Clara, com investimento de R$ 22 bilhões, e da Eldorado, que vai movimentar R$ 25 bilhões para a segunda linha de produção em Três Lagoas. Apesar de confirmada, a obra ainda precisa de uma solução de cunho empresarial para o impasse sobre o controle do projeto, disputado pela J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, e a Paper Excellence, do indonésio Jackson Wijaya.
GESTÃO INCLUSIVA
O governador acentuou que sua gestão tem um foco estratégico que pode ser resumido em crescimento social e econômico com sustentabilidade. Ele associa os investimentos privados à compreensão da política pública por parte dos investidores e aposta que o sucesso no combate ao desemprego decorre deste olhar.
Um dos dados que o fazem vibrar é fornecido pelo Ministério do Trabalho e Emprego, apurando que só em 2024 foram abertas em Mato Grosso do Sul 26 mil novas vagas de emprego com carteira assinada e a taxa de desemprego, com 3,4%, tornou-se a quarta menor do Brasil. “Nós estamos vivendo uma situação de pleno emprego, mas falta mão de obra”, admite o tucano.
Ele realçou uma das prioridades do Governo, na identificação das capacidades dos jovens e dos integrantes da melhor idade para tentar suprir a falta de trabalhadores no mercado estadual. Em Ribas do Rio Pardo, a Suzano e o Governo pensaram na situação das mulheres mães, solteiras ou casadas, que não podiam trabalhar porque não tinham vaga nas creches para deixar os filhos. Foram criadas 230 vagas de empregos para as mulheres nos viveiros da Suzano e da Bracell, em Água Clara, por meio da política que viabilizou escola de educação infantil para os filhos, transporte e salário para as mães.
Em uma gestão que aposta todo seu esforço nas iniciativas com foco na inclusão socioeconômica e cidadania, Riedel chama a atenção também para a diversificação da economia para responder às diferentes vocações regionais. Em Dourados, a JBS está ampliando o abate de suínos de 6 mil para 9 mil animais por dia, mas tem sofrido para preencher 800 vagas de emprego. Uma das soluções foi capacitar haitianos, que buscaram refúgio e uma oportunidade de reconstruir a vida no Brasil.
As produções de cítricos e da piscicultura estão entre os segmentos que vêm ganhando novo impulso. É o caso da laranja, ainda incipiente, porém com investimentos bilionários. Riedel contou que os empresários ficaram surpresos com a qualidade dos trabalhadores das lavouras em Sidrolândia, demonstrando o cuidado e a experiência para lidar com as mais modernas máquinas agrícolas.
(O governador Eduardo Riedel: “Temos um Estado seguro e viável para investimentos”