Marcelo Novaes, conhecido como Barrinha, dribla a justiça e enfrenta polêmica após nomear parentes para cargos estratégicos na prefeitura de Corguinho (MS) a 98 km da Capital, levantando questões sobre a legalidade de suas ações.

O prefeito de Corguinho, Marcelo Novaes (MDB), popularmente conhecido como Barrinha, está novamente no centro de uma controvérsia ao ignorar a legislação e fazer suas próprias regras, após nomear sua sobrinha, Gabriela Rocha Pereira de Sena, para o cargo de secretária de Administração do município. Essa nomeação ocorre em meio a uma investigação do Ministério Público Estadual (MPE), que já apura a nomeação de sua esposa, Glaucy Klener Novaes, para um cargo de diretoria na prefeitura.
A investigação teve início após a nomeação da esposa para o Departamento de Administração. Em sua defesa, Barrinha argumentou que não vê irregularidade, justificando que Glaucy é pedagoga, possui pós-graduação em Arte e Educação e faz parte do quadro de servidores municipais desde 2017. No entanto, a recente promoção de sua sobrinha para um cargo estratégico levanta sérias preocupações sobre a prática de nepotismo, conforme estipulado na Súmula Vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal (STF), que proíbe a nomeação de parentes até o terceiro grau para cargos de chefia, direção ou assessoramento.
Barrinha defende suas ações alegando que a Súmula do STF permite nomeações quando justificadas por critérios técnicos ou profissionais, um argumento que também foi utilizado para justificar a escolha de sua sobrinha. O caso está sob análise do MPE, que avaliará se houve violação das regras de nepotismo ou se as nomeações podem ser mantidas com base na qualificação técnica.
A situação em Corguinho, um município de pouco mais de 6,5 mil habitantes, é alarmante. A nomeação de Paula Gabriela Rocha Pereira de Sena, filha do irmão do prefeito, para a Secretaria Municipal da Administração, levanta questões sobre a moralidade e a impessoalidade na administração pública, princípios fundamentais estabelecidos pela Constituição Federal.
Além de favorecer a sobrinha, Barrinha também nomeou sua esposa para um cargo de alto escalão, o que intensifica as suspeitas de nepotismo. A Controladoria-Geral da União (CGU) classifica o nepotismo como uma forma de corrupção administrativa, e desde 2010, a nomeação de parentes para cargos públicos de chefia é expressamente proibida.
Moradores de Corguinho expressam seu descontentamento com o que consideram um “feudo” na prefeitura, onde os cargos de confiança são entregues a familiares do prefeito, enquanto a comunidade enfrenta problemas básicos. A pressão popular, somada à investigação do MPE, pode resultar em sanções severas para Barrinha, que, se condenado por improbidade administrativa, poderá perder o cargo, enfrentar multas significativas e até ficar inelegível por anos.
A pergunta que permanece é: até quando Corguinho será palco desse escândalo de nepotismo? O MPE continua suas investigações, e a população exige respostas. O que é certo é que Barrinha transformou a folha de pagamentos da prefeitura em uma extensão de sua família, um desrespeito pela lei, que pode ter consequências para sua carreira política.