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Campo Grande, 10 de outubro de 2026

Foragidas por atos antidemocráticos são presas ao entrar ilegalmente nos EUA

  • 20 de março, 2025
  • Internacional, Politica
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Quatro mulheres, investigadas pelo STF pelos eventos de 8 de janeiro, foram detidas após tentativa de asilo durante o Governo Trump.

Foragidas do 8 de janeiro presas nos EUA  por entrar no país ilegalmente: Rosana Maciel Gomes, Michely Paiva Alves, Cristiane da Silva e Raquel de Souza Lopes. (Foto: Reprodução)

Quatro brasileiras, investigadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, foram presas nos Estados Unidos após ingressarem ilegalmente no país. As detenções ocorreram em janeiro de 2025, logo após a posse do presidente Donald Trump, conhecido aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. ​

Perfis das detidas

Raquel de Souza Lopes (52 anos): Natural de Joinville (SC), foi detida em 12 de janeiro ao cruzar ilegalmente a fronteira. Acusada de depredar o Palácio do Planalto, foi condenada a 17 anos de prisão no Brasil. Atualmente, está no centro de detenção El Valle, no Texas, aguardando deportação. ​

Rosana Maciel Gomes (51 anos): De Goiás, foi presa em 21 de janeiro. Condenada a 14 anos de prisão por participação nos atos, sua defesa alega que ela entrou em “estado de choque” ao presenciar a depredação e não participou dos vandalismos. ​

Michely Paiva Alves (38 anos): Natural de Limeira (SP), responde por cinco crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro e possui mandado de prisão em aberto. É acusada de organizar a viagem de trinta pessoas de sua cidade até Brasília para participar dos protestos. ​

Cristiane da Silva (33 anos): De Balneário Camboriú (SC), foi condenada a um ano de prisão por incitação aos atos golpistas. Sua defesa afirma que ela estava em Brasília apenas a passeio e nega envolvimento nos eventos. ​

Contexto político e imigração
As detenções ocorreram em meio a uma política de imigração mais rigorosa implementada pelo presidente Donald Trump. Recentemente, Trump invocou a Lei do Inimigo Estrangeiro de 1798 para acelerar deportações em massa, permitindo a remoção rápida de imigrantes sem o devido processo legal das cortes migratórias.

Além disso, seu governo lançou o aplicativo CBP Home, que permite que imigrantes irregulares notifiquem voluntariamente sua saída dos EUA, com a promessa de possível retorno legal no futuro. ​

Essas medidas refletem a postura rígida da administração Trump em relação à imigração ilegal, afetando diretamente casos como o das quatro brasileiras detidas, que agora aguardam deportação enquanto buscam asilo político.

De acordo com a PM do RJ compareceram ao evento na Praia de Copacabana no último domingo, 16 de março, aproximadamente 400 mil pessoas, onde foi pedido anistia aos participantes do 8 de janeiro de 2023. (Foto: Redes Sociais)

Manifestação pela anistia ao 8 de janeiro

No último dia 16 de março, domingo o ex-presidente Jair Bolsonaro participou de um grande evento na Praia de Copacabana no Rio de Janeiro, onde pediu pela anistia aos participantes do 8 de janeiro de 2023

Balanço do 8 de janeiro de 2023

Segundo dados do STF divulgados em 7 de janeiro de 2025, pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados ao caso, dois anos após os ataques considerados anti-democráticos de 8 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou 371 pessoas das mais de duas mil investigadas por participar dos atentados aos prédios dos três Poderes. Além disso, outras 527 admitiram a prática de crimes menos graves e fizeram acordo com o Ministério Público Federal (MPF), totalizando 898 envolvidos responsabilizados até o momento.

A maioria dos condenados ― 225 ― teve suas ações classificadas como graves. As penas para esses réus variam de três anos a 17 anos e seis meses de prisão. Os crimes pelos quais foram condenados são cinco: tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público.

Outras 146 pessoas foram condenadas por incitação e associação criminosa, considerados crimes simples. Elas não foram presas, mas devem usar tornozeleira eletrônica por um ano, pagar multa, prestar 225 horas de serviços à comunidade e participar de um curso presencial sobre democracia. Além disso, estão proibidas de usar redes sociais nesse período e de viajar, mesmo dentro do Brasil, sem autorização judicial. Ainda de acordo com o relatório, cinco pessoas foram absolvidas das acusações.

Acordos
Até agora, o STF também confirmou acordos com outros 527 envolvidos nos atentados para evitar prisões mediante multa ― os chamados Acordos de Não Persecução Penal (ANPP). O valor arrecadado com esses acordos, por enquanto, é de mais de R$ 1,7 milhão.

Além da multa, os envolvidos estão obrigados a prestar 150 horas de serviço comunitários e não podem manter perfis em redes sociais abertas durante o período de vigência do acordo. Também devem frequentar um curso sobre o funcionamento da democracia oferecido pelo Ministério Público Federal (MPF).

Foragidos
Entre os condenados ao regime fechado (223 no total), 71 já iniciaram o cumprimento das penas, e 30 aguardam o esgotamento das possibilidades de recurso (trânsito em julgado) nas suas ações penais para o início da execução penal.

Outras 122 pessoas, no entanto, são consideradas foragidas. Em relação a metade delas, já foram adotadas medidas cabíveis para o pedido de extradição junto a autoridades estrangeiras. Elas estavam sendo monitoradas por tornozeleira eletrônica e saíram do país após romperem o equipamento. Uma vez extraditadas, deverão passar a cumprir suas penas em regime fechado.

Informações complementares
No período, foram proferidas 15.398 decisões monocráticas e 4.540 despachos, realizadas 1.534 audiências de custódia, 342 medidas de busca e apreensão e 488 afastamento de sigilos (bancário e/ou telemático)

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