Empreguismo na prefeitura reforça suspeita de “sequestro” da fé para satisfazer ambições políticas e eleitorais.

A prefeita Adriane Lopes (PP) fez toda a sua vitoriosa campanha pela reeleição garantindo, entre outras coisas, que nunca se sujaria com desvios morais, como o empreguismo e a falta de transparência. E além disso prometeu mil maravilhas à população, como o hospital municipal, a conclusão de obras paradas e o corte drástico das despesas com pessoal, economizando recursos necessários para retomar investimentos que desde sua posse se assemelham a peças de ficção.

No entanto, a prefeita seguiu fazendo o que já fazia, contrariando a própria palavra, sobretudo no que diz respeito à falta de transparência e ao “corte drástico” dos gastos com a folha. Passados quatro meses de seu segundo mandato, o que se tem é uma prefeitura inchada e nomeações em cargos que não precisam de concurso e ofertados, generosamente, a fiéis evangélicos, principalmente a líderes de sua congregação religiosa, a Assembleia de Deus Missões (ADM).
Segundo informam vários veículos, entre eles os portais “O Jacaré” e “Diário MS News”, a prefeita, que já havia sido denunciada durante a campanha por fazer da prefeitura um cabide de empregos, continuou a manter ou empregar pastores e pastoras. Em fevereiro, de acordo com os portais, lideranças evangélicas permaneciam na folha, com salários que chegam a R$ 12.118,68. Um dos aquinhoados e membro da cúpula ADM tem um salário mensal de R$ 4.403,97, nomeado coordenador do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Alair Barbosa Rezende, no Bairro Moreninha II.

Válvulas de escape
Os cargos estão distribuídos para fiéis que ocupam diversas posições na igreja e uma das principais “válvulas de escape” para abrigar o pessoal é a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS). O salário de R$ 9.258,48/mês é pago ao superintendente de Gestão Administrativa. E há também privilégio em dobro nesse “cabide”.
Um membro destacado da ADM faturou em fevereiro dois repasses salariais, um de R$ 8.883,72 e outro de R$ 3.893,78, por cargos na Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários e na gestão de um Cras. Ele também foi candidato a vereador, mas não teve sucesso nas urnas. Outro fiel da ADM, um de seus pastores, recebe R$ 6.459,59 para ser gestor de projetos na Sesau (Secretaria Municipal de Saúde).
Assim, vem crescendo a insatisfação dos fiéis que se importam com a história, os princípios e a credibilidade da ADM, uma das maiores igrejas evangélicas do Estado, protagonista de importantes obras de evangelização e ações educativas e filantrópicas em Campo Grande.
Para estes fiéis, o que mais incomoda é o prejuízo da igreja no conceito da opinião pública, por deixar crescer a impressão de que os evangélicos são explorados em sua boa fé e estão sendo utilizados como massa de manobra para os objetivos políticos e eleitorais da prefeita e de seu marido, o deputado estadual Lídio Lopes, também figura proeminente na ADM.








