Governistas se unem a opositores na Câmara para investigar gastos milionários com serviços até agora inúteis.
Dos 29 vereadores, até terça-feira (20/10), a CPI do Tapa-Buracos já tinha 24 assinaturas apoiando o requerimento para a Câmara Municipal investigar tudo que se refere ao serviço, sua execução, a qualidade, os resultados e se os gastos da prefeitura são compatíveis com os serviços realizados.
A abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito foi proposta pela vereadora Luiza Ribeiro (PT) e leva em conta a forte insatisfação dos campo-grandenses e um grave precedente: a Operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada pelo Ministério Público Estadual (MPE) em maio de 2026.

A operação, realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), cumpriu mandados de prisão, de busca e apreensão contra servidores públicos, empresários e empresas suspeitos de fraudes em contratos de manutenção asfáltica e tapa-buracos.
Acuada, a prefeita Adriane Lopes (PP) exonerou servidores da Sisep (Secretaria de Infraestrutura), entre os quais o superintendente de Serviços Públicos, engenheiro Mehdi Talayeh, e o gerente responsável pela manutenção de vias, Edivaldo Aquino Pereira.
Passados um ano e cinco meses após a operação, Adriane Lopes ainda não apresentou resultados satisfatórios na recuperação da malha viária, embora tenha anunciado várias vezes que as melhorias avançam.
Há, de fato, máquinas trabalhando em algumas regiões – mas não dá para garantir que a cidade esteja minimamente contemplada com a restauração de suas ruas. Por estas e outras, mesmo com maioria folgada na Câmara Municipal (mais de 20 dos 29 vereadores compõem a sua base de apoio), a prefeita vai enfrentar uma CPI a partir da próxima semana.
Investigações
Adriane tem cinco opositores ativos na Câmara. Três são do PT (Luiza Ribeiro, Jean Ferreira e Landmark Rios), um é PDT (Marquinhos Trad) e um é do PP (Maicon Nogueira, primo do deputado estadual Lídio Nogueira Lopes, do Avante, esposo da prefeita).
Inicialmente, este grupo tentou emplacar esta e outras CPIs, uma delas sobre o caos na saúde, mas esbarrava na dificuldade de conseguir as 10 assinaturas, número mínimo para protocolar o requerimento. E agora esta dificuldade já deixou de existir e todo o Legislativo quer levar adiante as investigações.
Alguns fatores levam a prefeita a perder gradativamente um apoio que já foi maciço política e partidariamente. Um desses fatores é a forte e intermitente cobrança da população, que pressiona os vereadores em busca de solução para a buraqueira e outros problemas, sobretudo o caos na saúde, a má qualidade no serviço de transporte coletivo, a deficiência na infraestrutura urbana e a falta de transparência nos gastos públicos.
Outro fator foi a agressiva manifestação de servidores comissionados da prefeita contra os vereadores na terça-feira, que levou o presidente da Câmara, Epaminondas Papy, a suspender a sessão.
Assim, a prefeita chega ao penúltimo mês do ano de seu segundo mandato sob a mais forte e consistente pressão política e popular desde que assumiu o cargo, em abril de 2022.
Agora, a oposição tem o reforço de governistas, que já ensaiam a abertura de outra CPI, para esclarecer dúvidas e suspeitas como o sumiço ou desvio de finalidade na aplicação de recursos carimbados do orçamento, como os R$ 156,8 milhões tirados da conta exclusiva do Fundo Municipal de Saúde.
Como se sabe, Adriane Lopes ainda continua respondendo ao processo em que foi acusada, com sua vice, de corrupção eleitoral (compra de votos).









