Se prolongar o impasse entre o Brasil e os Estados Unidos até 1º de agosto, e se o presidente norte-americano Donald Trump colocar em prática a ameaça de taxar em 100% os produtos brasileiros, não haverá nenhum país vencedor. Por maior e mais poderoso que sejam os EUA, não é apenas o Brasil que sairá perdendo.
Todos perdem porque, embora as lógicas econômicas e tarifárias ponham os EUA num alto patamar de poderio financeiro, seu presidente não ignora que estão caindo a aprovação ao governo e ao governante. E além da reação popular às medidas de força de sua gestão, há um outro fator: o povo norte-americano não vai ser compreensivo com ele se ficarem mais caros o hamburguer e o cafezinho.
A matéria-prima desses dois produtos, a carne e o café, é fornecida basicamente pelos produtores brasileiros. Contudo, perdendo lá, perde-se cá também, porque a curto prazo não parece simples ao Brasil encontrar substitutos tão fortes como os EUA no mercado internacional. Então, as chances de aumento da inflação, queda de consumo, retração empresarial e impactos negativos no PIB tornam-se maiores.
É essencial que o campo da democracia continue sendo ocupado por quem esteja disposto a fazer do diálogo a melhor solução. Aliás, a única. O capricho, a retaliação, o uso de argumentos político-ideológicos, tudo isto dificulta e até inviabiliza o entendimento. Os dois países estão com mais de dois séculos e meio de parceria, de trocas positivas. Não há porque um intrometer-se nas questões que são exclusivas do outro.
Segundo as fontes oficiais, o Produto Interno Bruto (PIB) dos estadunidenses poderá cair 0,37% em razão das barreiras tarifárias impostas ao Brasil, à China e a outros 14 países, além das taxas impostas à importação de automóveis e aço de qualquer nação.
Mas não é só o Trump que precisa calçar as sandálias da humildade. Lula também. E que ambos apostem no diálogo. Não por eles, mas pelo povo que representam.