Desembolso de R$ 14,6 milhões cairia na conta de empresa que foi alvo de operação policial em Mato Grosso.

A Pantanal Gestão e Tecnologia Ltda, de Cuiabá, capital de Mato Grosso, foi contemplada pela Prefeitura de Caarapó com um contrato dos mais suculentos financeiramente: R$ 14 milhões 668 mil 533,00. Com um currículo empresarial que a define como especialista em outsorcing (terceirização) e fornecimento online ou real time de insumos de construção civil e urbanística, materiais elétricos, hidráulicos, utensílios EPI’s e materiais de expediente em geral.
Nada haveria de estranho se não fossem dois questionamentos que correm pela cidade. Um é o desembolso contratual, cujo valor contraria o discurso queixoso da prefeita Maria de Lurdes Portugal (PL), que põe na conta da crise financeira a impossibilidade de cumprir as promessas que fez em campanha. O segundo item questionado é a suspeita que pesa nos ombros da empresa contratada, envolvida em uma investigação policial e do Ministério Público em terras cuiabanas.
Grupo familiar
Contratada pela prefeitura – extrato publicado no Diário Oficial da Assomasul de sexta-feira passada (09/05) -, a Pantanal Gestão e Tecnologia Ltda foi alvo da “Operação Gomorra”, autorizada pela Justiça de Mato Grosso em novembro de 2024 e realizada por servidores do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), vinculado ao MPE, e de agentes da Polícia Civil. Conforme as investigações, esta empresa integra um grupo familiar de uma suposta organização criminosa, constituída para fraudar licitações e desviar verbas públicas em diversos municípios.
Na operação, deflagrada no dia 07 de novembro, as diligências preliminares foram feitas para apurar adulteração de notas, utilização de “carta coringa” como mecanismo para desvio de combustível e prática de sobrepreço em Barão de Melgaço (MT). Estes mecanismos indicam, de acordo com o MPE, a existência de uma organização criminosa criada para saquear os cofres públicos de prefeituras e câmaras de vereadores.
O MPE aponta Edézio Correa como figura central da organização criminosa. A imprensa da região sul acompanha o caso e informa que a contratação da Pantanal foi efetivada em processo de Ata de Registro de Preço, e não de licitação ou pregão eletrônico. O jornal “Correio do Estado” publicou recentemente uma reportagem mostrando que o grupo cuiabano estava entrando em Mato Grosso do Sul, mirando contratos em municípios como Ivinhema, Água Clara e Anaurilândia, apresentando-se na rotulagem de “empresa especializada para a gestão informatizada da frota municipal.








