Prefeita faz São Pedro de bode expiatório e quer emergência para cobrir os rombos de uma cidade que ela não cuida.

No Brasil, uma crença popular associa São Pedro ao controle do tempo, por ser ele o guardador das chaves do céu. É por isto que o santo e as nuvens de chuva são usados com frequência, por quem precisa achar os culpados por estragos decorrentes dos temporais, como está fazendo neste momento a prefeita Adriane Lopes (PP).
Ela responsabiliza o mau tempo pela situação calamitosa das ruas e logradouros de Campo Grande e arrasta com este argumento a boa-fé do presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Vicente, o Papy.
Sem entrar no mérito das responsabilidades humanas, Papy visitou algumas regiões urbanas para ver os danos causados pelas chuvas. Ficou muito impressionado com trechos viários destruídos e intransitáveis, entre os quais uma imensa cratera no Chácara dos Poderes, bairro residencial da área nobre.
Então, sensibilizado pela choradeira da prefeita, Papy assumiu o compromisso de fazer a Câmara votar em regime de urgência um decreto declarando estado de emergência no Município.

Responsabilidades
No estado de emergência, a prefeitura adquire condições especiais e privilegiadas para viabilizar financiamentos, acertar parcerias para receber auxílios diversos e, desta forma, tirar de si as responsabilidades que lhe cabem e não foram cumpridas em três anos de mandato.
Entre seus erros e omissões, a falta de manutenção das ruas e o abandono do centro e principalmente dos bairros estão entre os de maior gravidade.
Assim, mesmo sendo a autora da calamidade, procura livrar-se do prejuízo acumulado pela ausência de gestão. Agora ela quer uma condição diferenciada para consertar os estragos que permitiu se acumularem, por falta de atenção ao povo, de cuidado com a cidade e de competência para controlar as finanças e garantir os investimentos necessários.
Não foram as chuvas e nem São Pedro que causaram a situação de calamidade nas contas do município, com um rombo abismal provocado, entre outras coisas, pelo desperdício de verbas orçamentárias, aplicadas em gastanças eleitoreiras.
O que não faltou foi o “jeitinho” para drenar e desperdiçar o dinheiro do contribuinte, em variadas formas de gastança. Entre elas, podem ser mencionadas o Proinc (Programa Assistencial de Inclusão Profissional, uma das heranças de Marquinhos Trad que Adriane maquiou e colocou o nome de Primt (Programa de Inclusão no Mercado de Trabalho); o porre de despesas com inscrições para um cursinho de 25 horas; o empreguismo na “farra dos pastores” e no loteamento para os derrotados pelas urnas; e os calotes nas empresas de tapa-buracos e nos hospitais, como a Santa Casa.
O vereador Papy quer acelerar a declaração do estado de emergência. Tudo bem que ele pense na recuperação da cidade onde moram as pessoas que o elegeram.
Mas este voto, é o mesmo que pôs Adriane Lopes no poder e só agora, depois de três anos, ela descobre que a buraqueira em todas as regiões de Campo Grande está engolindo sua gestão.
Ainda que institua por decreto o mecanismo defendido por Papy, a prefeita não logrará mais ludibriar seus munícipes e convencê-los que não é ela a grande responsável pelo estado lamentável e calamitoso da Cidade Morena.
Afinal, as chuvas e São Pedro não têm título de eleitor.






