Em coletiva, delegado diz que alvo era outro homem e que piloto da moto, sob efeito de drogas, apontou vítima errada. O pai do jovem, Maurício Orsini, pede respeito ao luto: “Ele morreu inocente, fazendo o que mais gostava, que era trabalhar”.

A Polícia Civil de Dourados confirmou, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (26/08), que o jovem Vitor Orsini, de 19 anos, foi assassinado por engano em uma emboscada planejada contra outra pessoa. Segundo o delegado Lucas Albé Veppo, do SIG (Setor de Investigações Gerais), os executores saíram de Ponta Porã sem conhecer pessoalmente o verdadeiro alvo e acabaram confundindo a vítima no momento do ataque.
As investigações indicam que uma dívida de aproximadamente R$ 300 mil entre a verdadeira vítima (homem de 39 anos) e o dono de uma academia de Ponta Porã Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, teria motivado o crime. O alvo seria um morador de Dourados que iria à garagem de veículos da família Orsini, na Avenida Hayel Bon Faker, no bairro Jardim Água Boa, para negociar um veículo, mas não compareceu no horário previsto.

Piloto drogado apontou vítima errada ao atirador
De acordo com a polícia, o piloto da motocicleta usada no crime, Alexsander Gonçalves Borges, de 27 anos, estava sob efeito de drogas e apontou Vitor como sendo a pessoa da fotografia que os criminosos tinham como referência. O atirador, identificado como Denis Barbosa de Melo, de 22 anos, teria efetuado os disparos contra o jovem.

O caso é investigado como homicídio qualificado. Até o momento, quatro pessoas foram presas ou apreendidas por envolvimento no crime: Cláudio Henrique de Arruda, de 43 anos, preso em Ponta Porã; Alexander Gonçalves Borges, de 27 anos; Denis Barbosa de Melo, de 22 anos; e um adolescente de 17 anos. Outros dois suspeitos são procurados: Jeferson Lopes, de 31 anos, e Marcos Antônio Olmedo Vera, de 23 anos.
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“Ele morreu inocente”, diz pai do jovem em primeira fala pública
Em sua primeira fala pública sobre o assassinato do filho, o empresário Maurício Orsini, pai de Vitor, afirmou que a família precisa de tempo para se recuperar e pediu respeito ao luto e orações. Com a voz embargada e visivelmente abalado, ele acompanhou na Delegacia Regional de Dourados a apresentação dos detalhes da investigação.
“Por que com meu filho? Ele morreu inocente, fazendo o que mais gostava na vida, que era trabalhar”, disse Maurício Orsini, em depoimento publicado no canal Babalizando MS. O jovem foi morto na tarde de 7 de agosto, enquanto estava na garagem de veículos do pai.
O pai reforçou que Vitor “morreu inocentemente” e que a família foi atingida por um crime que não tinha qualquer relação com o jovem. “A gente precisa de respeito, de orações. Precisamos de um tempo para nos recuperar”, afirmou.

Quatro presos e dois foragidos: Polícia segue atrás de mandantes
A investigação já apontou que a morte de Vitor foi encomendada e planejada com antecedência. A polícia segue apurando a motivação e a identidade dos mandantes do crime. Cláudio Henrique de Arruda, um dos presos, é apontado por algumas fontes como possível mandante, mas a Polícia Civil ainda não divulgou detalhes oficiais sobre essa hipótese.
Jeferson Lopes e Marcos Antonio Olmedo Vera são considerados foragidos e têm mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça. A polícia pediu ajuda da população para localizar os dois suspeitos.
Crime ocorreu em plena luz do dia na garagem da família
Vitor Orsini foi morto a tiros na tarde de 7 de agosto, em plena luz do dia, dentro da garagem de veículos da própria família, localizada na Avenida Hayel Bon Faker, em Dourados. Segundo a polícia, os executores chegaram ao local em uma motocicleta e, após a identificação equivocada, efetuaram os disparos contra o jovem.
O caso chocou a cidade e reacendeu o debate sobre a violência e as execuções encomendadas na região de fronteira. A Polícia Civil continua investigando o caso para identificar todos os envolvidos e esclarecer como o crime foi planejado e executado.
(Vídeo reprodução: Osvaldinho Duarte)






