Operação desmonta fraudes na Prefeitura de Campo Grande

MPE e Polícia prendem ex-secretário e membros de esquema que desviou mais de R$ 113 milhões em obras fantasmas.

Rudi Fiorese: ex-secretário de Adriane foi demitido da Agesul. (Saul Schramm, Arquivo, Secom-MS)

O ex-titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) durante a gestão de Marquinhos Trad (202017-22), engenheiro Rudi Fiorese, e mais seis pessoas, entre elas dois servidores da Prefeitura de Campo Grande, foram presos na terça-feira (12/05), sob a acusação de fazerem parte de um esquema que desviava verbas públicas mediante fraudes em contratos para serviços de manutenção urbana.

As prisões foram feitas por uma força-tarefa do Ministério Público Estadual (MPE) e agentes do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco)

Mehdi Talayeh e Edvaldo Aquino, servidores da prefeitura presos. (Foto: Reprodução).

Foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e outros 10 de busca e apreensão. Além de Fiorese a polícia também fez a prisão dos servidores municipais, Mehdi Talayeh, superintendente de Serviços Públicos, e Edvaldo Aquino, gerente de Manutenção de Vias, além de Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, Erick Antônio Valadão, Antônio Roberto Bitencourt e Fernando de Souza Oliveira.

Fiorese era diretor de Infraestrutura Rodoviária (DIR) da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Seilog). Ele foi demitido do cargo pelo governador Eduardo Riedel (PP) logo que soube da operação.

A mesma decisão foi tomada pela prefeita em relação a Talayeh e Aquino. Segundo apuração dos investigadores, o esquema consistia no pagamento a uma empresa por serviços que não eram realizados e funcionava desde 2018. Em cerca de sete anos os desvios somaram R$ 113 milhões 702 mil 491,02.

Fraudes

A empresa investigada se beneficiava dos contratos e aditivos viabilizados politicamente pelo grupo. Ao cumprirem as ordens judiciais, o MPE e os agentes policiais encontraram cerca de R$ 429 mil em espécie na casa de investigados. Um deles, servidor municipal, tinha R$ 233 mil. Outro, seu colega de trabalho, mais R$ 186 mil, totalizando R$ 429 mil em dinheiro vivo.

A organização criminosa vinha fraudando o serviço de manutenção das vias públicas, manipulando as medições e recebendo pagamentos indevidos.

Em nota oficial, o MPE diz: “As evidências revelaram pagamentos públicos que não correspondem aos serviços efetivamente prestados, com o propósito de permitir o desvio de dinheiro público, o enriquecimento ilícito dos investigados e, como consequência, a má qualidade das vias públicas municipais”.

Edvaldo Aquino, coordenador do serviço de tapa-buracos, foi preso em casa, juntamente com seu filho, este pelo porte de entorpecentes.

Uma das áreas urbanas da Capital: buracos como cartões de visitas. (Foto: Murilo Medeiros)

Mandato esburacado

A operação ganhou o nome de “Buraco Sem Fim” por ser apropriado e atender uma dupla situação: as crateras que proliferam há 10 anos em uma cidade sem manutenção e os “furos” financeiros nas contas da municipalidade.

Este cenário típico de desgoverno e irresponsabilidade passou de uma gestão a outra, já era dos caóticos na “era Marquinhos” e piorou nas mãos de Adriane Lopes (PP), sua ex-vice prefeita, que assumiu em 2022 e se reelegeu em 2024.

Os buracos são o retrato que justificam o nome da operação. As imagens comprovam o desleixo e falta inquestionável de competência de quem deveria governar a cidade e tratá-la com o cuidado que o seu povo merece.

Campo Grande é a cada dia um palco de acidentes, com mortos, feridos e danos materiais, além de desordem no trânsito. Ao denominar a operação de “Buraco Sem Fim”, as autoridades resumiram as gestões de Marquinhos e Adriane.

Capa (Foto: Gerson Oliveira)