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Campo Grande, 09 de outubro de 2026

O Gaeco vai continua a varredura contra o crime organizado em MS

  • Geraldo Silva
  • 8 de julho, 2026
  • Polícia
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Operação com ex-prefeito, altos funcionários e “gente fina” no alvo atacou só a ponta do iceberg.

O  advogado Gabriel Taquino de Paula, os empresários Paulo Rogério de Melo, Douglas Henrique de Melo, Júnior Vasconcelos,  Felipe Paroschi Jafar,Rossana Jafar, Ed Carlo Burgati,  Olívia Jafar,  e Jéssyca Burgatt  foram alvos da ação.(Foto: Reprodução)

A “Operação Gutemberg”, realizada ontem (terça-feira, 08/07), contra um esquema de corrupção infiltrado em órgãos públicos de Mato Grosso do Sul, terá outras etapas. Esta ação atingiu, por enquanto, a ponta de um imenso iceberg, mas pelo nível social e econômico dos primeiros alvos já é possível deduzir que há mais gente e envolvimentos poderosos na rede, agora na mira do Ministério Público Estadual (MPE) e da força-tarefa do sistema, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

A investigação constatou a existência de organização criminosa voltada à prática de crimes contra a Administração Pública, notadamente crimes em licitação, corrupção ativa, corrupção passiva, além de lavagem de capitais e outros delitos correlatos, instalada em Campo Grande/MS e com atuação espraiada em diversos municípios do Estado do Mato Grosso do Sul, com núcleos bem definidos, liderada por empresários que atuavam como principais articuladores do esquema criminoso.

O Gaeco cumpriu mandados de busca e apreensão em três estados. Organização desviou R$ 27 milhões na compra de livros no MS. (Foto: Reprodução)

No cento da investigação consta crime que causaram, inicialmente, prejuízos estimados em R$ 27 milhões. Nesta etapa o Gaeco entrou em ação para cumprir, em três estados, 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Corguinho, Caarapó, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).

Entre os presos há muitas personalidades conhecidas ou com trânsito em diversos setores, como o serviço público, a política e nas carreiras de profissionais liberais. Um dos detidos é Junior Vasconcelos, ex-prefeito (2013-16) de Fátima do Sul. Tentou se reeleger em 2016, porém perdeu por apenas 44 votos para Ilda Salgado Machado, esposa do deputado estadual Londres Machado.

Também caíram Ed Carlo Britto Burgatt, que era coordenador do Core (Central Estadual de Regulação); o trio familiar de empresários e profissionais liberais Rossana Paroschi Jafar, Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar. A lista inclui ainda os empresários Paulo Rogério de Melo, Douglas Henrique de Melo e Jéssyca Burgatt; e o advogado Gabriel Taquino de Paula. Francisco Anizio dos Santos, Joatan Gomes Peixoto e Matheus Oliveira Peixoto também foram alvos da ação.

O governo do Estado exonerou hoje (08/07) Felipe Paroschi Jafar de cargo comissionado da Agesul e o servidor Ed Carlo Britto Burgatt coordenador estadual de Regulação.

Sem licitação

De acordo com o MPE, os investigados se valiam de servidores públicos corrompidos para fraudar e direcionar compras públicas. Um dos meios era a contratação direta por inexigibilidade de licitação para a aquisição de livros paradidáticos. Os valores obtidos dos cofres públicos pela organização passam dos R$ 27 milhões. O dinheiro era pulverizado entre seus membros, servidores corrompidos e diversas pessoas físicas e jurídicas com o fim de ocultar e dissimular sua origem.

Chefe da regulação da saúde é preso pelo Gaeco em operação contra corrupção

A operação teve apoio operacional do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope). O nome da operação faz referência a Johannes Gutenberg, que em 1450 massificou a impressão de livros ao inventar a prensa e os tipos móveis metálicos fundidos. E foram livros os instrumentos utilizados para dar aparência de legalidade ao esquema criminoso.

A cirurgiã-dentista Rossana é mãe da empresária e médica Olívia Jafar. Elas pertencem à família ligada à Gráfica Alvorada, inscrita em outras investigações iniciadas em 2014 para apurar esquemas suspeitos de compras no governo de André Puccinelli. A odontóloga é sócia administradora da Clínica Ross, empresa que também foi alvo de mandado de busca e apreensão no Jardim dos Estados.

A clínica foi fundada em maio de 2026 e tem como atividade principal “atividade médica ambulatorial restrita a consultas”.

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