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Campo Grande, 04 de outubro de 2026

Caso Marielle-Anderson: STF decide sobre prisão a partir de hoje

  • Geraldo Silva
  • 25 de março, 2024
  • Polícia
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Identificação e prisão de mandantes só aconteceu após troca de governo e investigações mais rigorosas

Após seis anos de arrastadas e boicotadas investigações, enfim o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) e seu motorista Anderson Gomes está esclarecido em seu mistério mais importante: quem encomendou o crime. Por meio de delações do ex-policial militar Ronnie Lessa e de uma investigação rigorosa patrocinada pelo Ministério da Justiça e executada pela Polícia Federal, três pessoas presas no domingo, 24, foram apontadas como idealizadoras da execução.

Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (Foto: Reprodução)

Para chegar aos delatados por Lessa, as investigações só alcançaram efetivas pistas após as determinações e providências enérgicas do ministro da Justiça, Flávio Dino. Desde que foi nomeado pelo presidente Lula para o ministério, Dino – agora ministro do Supremo Tribunal Federal – chamou a responsabilidade de elucidar o caso, dando carta branca e mobilidade total à PF. Já de início constatou-se que as investigações conduzidas pela polícia carioca se arrastaram durante quatro anos sem grandes avanços e diversas falhas operacionais.

DELAÇÃO

Réu confesso pelos tiros que silenciaram Marielle e Anderson na noite de 14 de janeiro de 2018, Lessa fez acordo de delação premiada na prisão e forneceu as pistas e indícios que levaram a polícia ao conselheiro Domingos Brazão, do Tribunal de Contas; seu irmão, o deputado federal Chiquinho Brazão (União Brasil); e o ex-diretor-geral da Polícia Civil do RJ, Rivaldo Barbosa. Um detalhe que chamou a atenção: Barbosa – cuja condução ao cargo foi por meio do general Braga Neto, ex-candidato a vice na chapa de Bolsonaro em 2022 – tomou posse um dia antes do crime.

O deputado federal Chiquinho Brazão (Foto: Agência Câmara)

No domingo mesmo o trio denunciado foi enviado para o Presídio Federal, em Brasília, em caráter de prisão preventiva. Nesta segunda-feira, 25, a partir da meia-noite, a Primeira Turma do STF fará uma sessão virtual para decidir se mantém as prisões preventivas ou mudam o regime de custódia. Barbosa, que chefiou a Polícia Civil do Rio e teria atuado para protegê-los.

A família Brazão pertence a um importante grupo político do Rio. Ex-deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Domingos é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), cargo do qual ficou afastado depois de ser preso, em 2017, na Operação Quinto do Ouro, acusado de receber propina de empresários.

Flávio Dino: decisivo para chegar aos mandantes da morte de Marielle e Anderson (Foto ACS)

Chiquinho Brazão, deputado federal, foi empresário e comerciante. Já o delegado Rivaldo Barbosa vinha desempenhando a função de coordenador de Comunicações e Operações Policiais da Polícia Civil. Chamada Murder Inc, a operação da PF englobou 12 mandados de busca e apreensão na sede da Polícia Civil e no Tribunal de Contas.

CIDINHA

A ex-deputada estadual e jornalista Cidinha Campos, é uma das pessoas que denunciaram os irmãos Brazão por crimes e ameaças. Em 2004, acusou Chiquinho Brazão de liderar um esquema de uso eleitoral no Hospital Curupaiti, em Jacarepaguá. Ao se confrontarem na Assembleia Legislativa (Alerj), Brazão e Cidinha trocaram ofensas e acusações.

Em 2014, em inflamada discussão, Cidinha foi chamada por Brazão de vagabunda e puta. Ela retrucou: “É melhor ser puta do que matador e ladrão”. Em seguida, Domingos Brazão disse: “Mando matar vagabundo mesmo. Sempre mandei. Mas vagabundo. Vagabunda ainda não mandei matar”.

O ex-diretor-geral da Polícia Civil do RJ, Rivaldo Barbosa

Marielle Franco foi morta porque contrariava interesses dos Brazão, que ergueram poder político e financeiro alicerçados pela atuação ostensiva da milícia. Um dos incômodos criados por Marielle eram a denúncia de uma disputa imobiliária: os Brazão tinham interesse em fazer loteamentos na zona oeste do Rio, e Marielle se opunha ao empreendimento. O assassino Ronnie Lessa receberia terrenos como pagamento pelo crime.

 

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