Mandado de prisão preventiva foi cumprido no domingo. Segundo a denúncia, militar teria levado atendente de farmácia para uma rua escura e a forçado a manter relação sexual dentro do carro.

O bombeiro militar Felipe Batista Valeriana Domingues, de 37 anos, foi preso preventivamente no domingo (27/09), em Campo Grande, investigado por perseguição e estupro contra uma atendente de farmácia de 35 anos. O caso teria ocorrido no dia 15 de setembro, e a ordem de prisão foi expedida pela Justiça na sexta-feira (25/09).
A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Conforme o relato registrado pela vítima, o suspeito teria ido até a farmácia onde ela trabalhava, no Bairro Aero Rancho, apresentando-se como “Felipe Lorde” e deixado um telefone para que uma colega entregasse a ela.
A mulher entrou em contato e passou a conversar com o militar por mensagens. Segundo o boletim de ocorrência, ele insistia em marcar um encontro. A vítima afirmou ter desistido depois de descobrir que ele era casado, informação que, de acordo com o relato, havia sido negada por ele.
Mesmo após a recusa, o suspeito teria voltado a enviar mensagens e dito que buscaria a mulher no fim do expediente, às 22h. Ao sair do trabalho, ela o encontrou em frente ao estabelecimento. A vítima relatou à polícia que o homem a chamou para perto do veículo com a mão na cintura, o que a fez acreditar que ele poderia estar armado.
Ainda de acordo com a denúncia, ela entrou no carro por medo e enviou uma mensagem a um amigo. O bombeiro teria seguido até uma rua escura no Jardim Centenário, onde mostrou uma arma, abaixou o banco do veículo e, segundo a vítima, a forçou a manter relação sexual.
Durante o episódio, o amigo da mulher tentou telefonar diversas vezes. O investigado teria pegado e guardado o aparelho dela, devolvendo-o somente depois. A vítima então pediu para sair do veículo, procurou o amigo e, posteriormente, registrou a denúncia na Deam, além de passar por exame de corpo de delito.
Prisão e apreensão de arma
Policiais da Deam foram até a residência do bombeiro na manhã de domingo para cumprir o mandado de prisão preventiva. Conforme o registro policial, ele inicialmente se recusou a deixar o imóvel e afirmou que não se entregaria, alegando considerar injusta a medida.
Diante da resistência, um oficial do Corpo de Bombeiros foi chamado para auxiliar na negociação. Após as conversas, o militar deixou a residência e foi encaminhado à Deam em uma viatura da corporação. Uma pistola Taurus calibre 9 milímetros foi apreendida.
Registros anteriores
Além da investigação atual, o militar aparece em ao menos três boletins de ocorrência registrados em 2022 por adolescentes de 16 e 17 anos ligadas ao Instituto Mirim e à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), segundo apuração publicada nesta segunda-feira (29/09).
Nos relatos, as adolescentes disseram ter sido alvo de perguntas de cunho sexual, convites insistentes e comentários inadequados no ambiente de trabalho. Em um dos casos, uma jovem afirmou que o bombeiro perguntou se ela era virgem e solteira; em outro, uma adolescente relatou que ele lhe mostrara uma foto de sunga. Os registros foram feitos entre janeiro e junho de 2022, e o militar foi transferido de setor cerca de dez dias após o último boletim, conforme publicação no Diário Oficial. Esses registros não equivalem a condenação e precisam ser tratados como denúncias anteriores.
Posição do Corpo de Bombeiros
Em nota, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul informou que tem conhecimento do caso e que a situação está sob apuração. A corporação afirmou que o militar permanece preso preventivamente e declarou não compactuar com qualquer forma de violência, ressaltando que condutas incompatíveis com os valores e deveres institucionais são apuradas.






